RAZÃO E ESVAZIAMENTO MORAL

” Penso, logo existo”. Esta afirmação tem permeado nosso modo de estar neste mundo. A razão de Atenas ganha espaço de valorização sobre a sensibilidade. O pensamento científico, da lógica linear assume o cenário existencial, desconsiderando tudo o que não pode ser comprovado, mensurado, avaliado, tudo o que não se encaixa nos padrões, normas e protocolos. As divisões se estabelecem.Ganham força as especializações, e com elas emerge uma medicina medicalizada de resultados, uma academia de resultados, o mundo é fracionado e enquadrado. O que não se encaixa nas medidas protocolares, deve ser rejeitado. As relações começam a evidenciar os sinais de esterilidade. Estudantes de medicina aprendem a não se envolverem, a conduta agora é,  manterem distância de seus pacientes. Terapeutas se transformam em técnicos. As relações se congelam, começam os descartes relacionais, “usa e joga fora”. Este triste cenário tem contribuído para o esvaziamento moral. Quando a razão se torna excessiva, normas e regras se exacerbam, as pessoas tendem ao distanciamento, ao descompromisso e a moral se esvazia. Karen Armstrong afirma com toda a sua sabedoria : ” Sem compaixão e empatia, a razão pode levar homens e mulheres a um vazio moral”. Tudo é uma questão de equilíbrio, nem só razão nem só emoção. A capacidade empática que alimenta a compaixão através da sabedoria, é fundamental para a existência humana. Se não soubermos balancear, nos polarizamos entre razão e emoção. Nem só um lado, nem só o outro. A reflexão alimentada pela sabedoria, nos leva ao comedimento, ao bom senso, à capacidade de contextualização. Emoções e sentimentos quando reconhecidos, narrados, presentificados, podem ser compreendidos,  não julgados e portanto, auto governados. Sem reconhecimento, as emoções se tornam impulsivas e desgovernadas, acionam a razão cega e destrutiva. A questão é, e sempre será, COMO se reconhecer neste processo que não se antagoniza mas, se completa: razão e emoção. O auto-reconhecimento de si é capaz de preservar a ética em nosso viver e conviver, com empatia e compaixão. Fracionados, nos perdemos nas polaridades, equilibrados ganhamos autonomia.

Abraços    ****

Vivi

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *