QUANDO BROTA A FAÍSCA ?

Foi atritando, esfregando lascas de pedra que o ser humano encontrou o fogo. Com ele aqueceu os alimentos, que  uma vez cozidos, facilitou sua digestão, alterando seu paladar, gerando novas descobertas. Para obter o fogo, a luz e o calor, foi necessário determinação, esforço, paciência para que a chama brotasse, num ato contínuo. Obtido o fogo, seguiu-se um outro desafio para este humano: mate-lo. Era necessário cuidar da chama, protege-la dos ventos. A necessidade de cuidar e alimentar o fogo entre a comunidade humana, exigiu uma atitude de responsabilidade diante de uma tarefa a ser compartilhada. Assim, também acontece com a nossa consciência. O insight, a percepção, a “luz” do saber, é algo que acontece após o “atrito” reflexivo entre conhecimento, experiências, memórias somáticas, boa vontade, determinação. É pelo “atrito” entre perguntas, inquietações, respostas, ideias, dúvidas até o limite do cognoscível que “a mente esbarra na transcendência” (Karen Armstrong). ” Só quando todas essas coisas, nomes e definições,sensações visuais e de outra ordem são reunidas e submetidas a testes em que, de boa-fé e sem maldade, trocam-se perguntas e respostas; só quando  se leva a capacidade humana ao limite é que, finalmente, brota uma centelha de entendimento e inteligência que ilumina o assunto em pauta”.(Platão c. 427 – 347 a.C.) A consciência precisa do tempo e do espaço para acessar  o transcendente, o que vai além do próprio conhecimento, um entendimento que preenche iluminando uma camada de consciência que se expande, até surgirem novas dúvidas que irão motivar a busca da nova luz, mas, há que cuidar da chama.

Abraços    ****

Vivi

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