… O QUE VINHA DE DENTRO

Mudar a direção de um olhar, se dar a chance de ver o mundo sob um outro ângulo, é algo que para muitas pessoas pode causar um certo estranhamento, um certo assustamento. A cultura tem nos apresentado um constante valor para o externo. Valorizamos as aparências, aquilo que está fora e acabamos absorvendo um olhar que vê apenas para fora de si. Temos sido treinados a olhar o mundo para fora. O que vale são os resultados apresentados. A cultura exige o cumprimento das metas traçadas. Temos que atingir as metas, não importa como nem de que forma, mas, temos que atingir as metas que uma burocracia propôs. Saímos de dentro de nós. Desabitamos de nós mesmos. Se quisermos olhar para dentro, para o nosso interior, não reconhecemos o caminho. De tanto olhar para fora, perdemos a referência da nossa própria identidade e nos mantemos buscando as referências no mundo exterior, nas aparências e regras ditadas por um mundo que serve apenas aos interesses de poucos. Onde estou? Quem sou?  Muitas vezes não nos reconhecemos e caímos na tragédia de um isolamento de si mesmo. Quem sabe se, o caminho da “cura” esteja tão próximo que, de tanta proximidade não conseguimos enxergar! Quem sabe, possamos acionar a nossa coragem de simplesmente pausar, para se ver, apenas se ver, sem julgar, sem se exigir, mas, apenas se observar, para se re-encontrar! Encontrar de novo, o novo em mim mesmo, um novo que vem dentro da alma. Revelar-se para si mesmo e poder se encantar consigo mesmo. Diria com sabedoria Tomie Ohtake: “cansei de pintar o que via, quis pintar o que vinha de dentro.”

Abraços   ****

Vivi

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