ENCAIXE NÃO É FORÇA

Quando se fala em atividade física, academias de treinamento muscular, no geral as pessoas pensam que, para alongar, treinar, fortalecer um corpo é necessário força. “Se não suar não funciona”, é uma frase que se repete com certa constância. Como estamos numa cultura dos excessos, entendemos que trabalho corporal só tem “resultado”, se imprimirmos força e velocidade no treino, a ponto de ultrapassar os limites somáticos e psíquicos. Se existe algum critério para uma atividade física o primeiro, o primordial é aprender a respeitar os limites de um corpo, os limites naturais do praticante, em qualquer modalidade. Se a pessoa não souber reconhecer seus limites, jamais será capaz de se respeitar e portanto, respeitar ao outro. Toda a biomecânica de um corpo humano vivo está pautada nos encaixes. Sempre que se coloca força excessiva perdemos a possibilidade de reconhecer, aprender, treinar, educar nossos sistema locomotor, nosso sistema neuromotor. Respeitar limites não é preguiça, não é indisciplina, não é falta de encorajamento e determinação na prática corporal, mas, sim respeito. A educação somática só pode acontecer se houver reconhecimento das possibilidades e variações, mudanças naturais e permanentes das respostas somáticas frente aos estímulos. Isto não significa que teremos uma baixa capacidade respiratória ou baixo fortalecimento muscular. Ao contrário, saber encaixar, posturar, equilibrar, organizar um corpo vivo, demanda profunda presença somática e sustentação de uma estabilidade atencional. Saber reconhecer padrões somáticos e psíquicos que pelo condicionamento, impedem a amplitude das fibras musculares, da capacidade respiratória, dos encaixes perfeitos, é construir  um gesto harmonioso e potente. Corpo não é força mas, encaixe. A força bloqueia a potência, reprime o fluxo energético, distrai e excita, lesiona fibras, impede a consciência somática, não transforma. Ser um corpo equilibrado e harmonioso é estar presente no abraço entre corpo, emoção, cognição e alma.

Abraços   ****

Vivi

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