VIAS DE MÃO DUPLA

As relações se estabelecem em trânsito pela via da reciprocidade: uma via que vai e uma que volta. Em tempos de desconfiança o discurso moralista tende a aparecer com certa evidência e porque não, eloquência, até mesmo para encobrir os fatores geradores da não confiança. O que nos faz não confiar? Confiar é fiar junto, ou seja, uma ação que compreende um ir e um vir. A confiança acontece junto, é uma ação recíproca. Neste sentido, não há como querer argumentar através do discurso do “eu não sabia”, pois em tudo que fazemos e fazemos com o outro, a responsabilidade é inerente, ela está implícita. Portanto, também não há como falar em corrupção sem falar de um corrupto e um corruptor, pois ela, a corrupção, acontece porque existem os dois sujeitos da ação, o corruptor e o corrompido. A prática da corrupção é uma das chagas exposta da nossa sociedade, que advém dos períodos escravagistas da exploração humana que suborna, corrompendo sem escrúpulos tudo e todos. Mudar esta forma perversa nas relações humanas, em todas as classes sociais e institucionais, talvez seja um dos maiores desafios do humano. Lembrando que esta mudança não acontecerá pela via dos discursos moralistas ou religiosos, pois até mesmo estes já estão corrompidos em tempos de desconfiança. Sem confiança, não há como estabelecer relações sadias. Nossa sociedade tem apresentado sintomas que se agravam a cada dia, desta doença contagiante: a corrupção. Como e onde encontrar a cura para este mal que só tende a se alastrar, como uma epidemia? Se confiar é fiar junto, o caminho talvez seja pela via da autoconfiança que resiste pela ética, preservar dignamente a dignidade humana que constitui o verdadeiro tecido social. É no presente de cada presente em nossa vida, começando pelas relações na vida familiar, nos mais próximos, que aprenderemos a ser honestos e dignos da nossa humanidade. É pela força do caráter que escolhe o caminho reto, da reta palavra, da reta conduta, dos retos pensamentos, pois enquanto houver corruptores, haverão os corruptos. Precisamos aprender a aprender ser honestos!

Abraços    ****

Vivi

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