UMA “ GANÂNCIA INFECCIOSA”

O prêmio Nobel de Economia de 2013, Robert Schiller, nos apresenta  a desigualdade crescente nos tempos contemporâneos, uma desigualdade social que evidencia seu crescimento galopante. As pessoas ou grupos detentores de riqueza tem se tornado mais ricos e a grande massa considerada empobrecida tem se tornado mais pobre, com menos recursos, com menos dignidade. Um paradoxo fica evidente, pois estamos em tempos onde já é possível recursos para alimentar a todos, levar água encanada, saneamento público, para todo mundo e para o mundo todo. Então, porque tanta desigualdade. O que Schiller apresenta, é uma tendência à “ganância infecciosa”, que tem infectado os mais endinheirados, os que tomam as decisões do mercado a partir dos jogos especulativos, uma doença que gera e fomenta a desigualdade, a partir da pura “banalidade do mal”, parafraseando a teórica e política alemã Hannah Arendt, em “As Origens do Totalitarismo”. Schiller é enfático quando afirma que “as pessoas precisam reconhecer que o país pertence ao povo e não a uma minoria”. Nossos representantes políticos estão servindo a quem os elegeu ou aos grupos financeiros que tomam decisões para manter os seus privilégios? O jogo do poder ganancioso gera prazer a uma minoria absoluta e intenso sofrimento a uma maioria absoluta. Aonde chegamos como humanidade? Onde fica a democracia? O que é justiça social? O que é ser um político? Fica evidente que ainda estamos engatinhando no processo civilizatório. Não conseguimos ainda nos desfazer das culturas de dominação, para nos consolidar em uma cultura de humanização. Ainda estamos descartando pessoas e vidas. Será que um dia teremos chances de um pouco mais de igualdade e dignidade? Qual será o caminho para enfrentar dilemas como estes? Se não “investirmos” na humanidade do humano, continuaremos sendo capturados e iludidos, acreditando que um objeto tecnológico, com alguns enlatados instantâneos e uma falsa sensação de confiança nos levará ao desejado sucesso como receita de felicidade. Se não alterarmos esta visão de mundo oferecendo aos cidadãos oportunidade para reflexão e reconhecimento de si, de seus corpos e subjetividades, continuaremos sendo direcionados para um analfabetismo funcional. Lemos mas não interpretamos. Lemos mas não sabemos o significado do que lemos. Compramos sem saber das reais necessidades e assim permanecemos naquele lugar raso do “homem endividado”, como dizia Deleuze.

Abraços    ****

Vivi

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