TERAPÊUTICA DA NARRATIVA

O narrar o acontecido é também uma forma de resignificar  a experiência do vivido, sobretudo quando são elas, portadoras de um processo traumático. Quando as ofertas de espaços sensíveis, vinculares e confiáveis são disponibilizadas, a narrativa do acontecimento pode adquirir uma nova formatação, dissolvendo as marcas invisíveis que impendem o fluxo vital. As experiências traumáticas no vivido, tem a capacidade de roubar a confiança no mundo, deixando as marcas da desesperança, da indiferença , do isolamento  ou da reatividade, conforme a elaboração de uma subjetividade. A narrativa vincular além de ser um recurso afetivo, é também um apoio social. Considerar a importância da palavra falada por meio de diferentes linguagens, é abrir caminhos para a restauração da força vital. Nos últimos anos, a neurociência tem contribuído com a visão terapêutica da narrativa diante do trauma vivido, dos abusos morais, ocorridos no plano do macro e do micro, nos ambientes da exterioridade e da interioridade. A neurociência destaca a importância da plasticidade cerebral, em permanente remodelamento pelos acontecimentos do viver, através das interações afetivas em experiências emocionais no contexto ambiental físico e moral. A narrativa do acontecido em um ambiente afetuoso e acolhedor, atua nas mesmas zonas cerebrais acionadas pela memória, permitindo então, a resignificação do acontecido refazendo as marcas mnêmicas. A criação de espaços afetivos, vinculares e seguros, permite uma mudança  subjetiva, resgatando a potência diante da vida. Narrar, narrar-se, faz bem à saúde pessoal e social. Saber ouvir e acolher o outro na sua dignidade é construir territórios de afetos, com amor e bom humor para a afirmação da vida, afirmação do fluxo vital, é dar passagem à potência do pulso vivo da vida.

Abraços    ****

Vivi

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