SENSO DE COMUNIDADE

 

Enquanto vivíamos na tribo, em pequenos agrupamentos, ou como caçadores e coletores, o senso de comunidade era marcado tão fortemente, que entendia-se a comunidade como uma extensão do próprio corpo.  Com a hipertrofia demográfica e a expansão das cidades- estado, o sentido de pertencimento a um grupo foi perdendo a sua força, até chegarmos ao êxodo rural e a formação das grandes cidades, desembocando na globalização. Apesar das facilitações científicas, comunicacionais e tecnológicas da globalização, o isolamento foi  permeando o mundo psíquico do indivíduo, que passa a não se sentir mais pertencente à comunidade onde habita. Ele perde o sentido de cidadania. A falta do sentido comunitário traz o afastamento, a reclusão em pequenos grupos familiares. Na medida em que a instituição família também vai perdendo força, pois mudam as linguagens e configurações, o senso de pertencimento comunitário se dissolve e com ele as relações conectivas geradoras de responsabilidade, respeito, parceria, compromisso e cooperação. Estes valores fundamentais para a sustentabilidade social, caem na vala do desencanto, gerando frustrações e  isolamento ainda maiores. Neste cenário emerge o “cada um por si mesmo” e as pessoas desorientadas, confusas, inseguras sentem-se vulneráveis à procura de vínculos e referência. Este caldo favorece a nutrição dos fundamentalismos, do capitalismos de mercado, das ideologias do controle, da competição predatória, egoísmos, todos travestidos em roupagens as mais variadas e por fim proliferando as mais diversas expressões da violência. Resgatar o senso de comunidade, talvez seja hoje mais que um dever mas, uma necessidade básica. È necessário portanto, resgatar o senso de pertencimento e com ele valores que sejam verdadeiros nutrientes de sustentabilidade de uma rede de convivência, onde o respeito mútuo, a co-responsabilidade, a cooperação, a inclusão, possam operar na restauração e reconciliação da humanidade comum, de cada pessoa humana, com desdobramentos favoráveis à sustentação e preservação da vida. Depositar todos os nossos esforços para construir um sentido de comunidade em todos os espaços sociais, seja na educação, na saúde, na justiça, no meio ambiente, na segurança, nos meios de comunicação, nas redes sociais, nos diversos âmbitos da expressão e do convívio humano, acredito ser um dos grandes desafios para esta geração e para as próximas.

Abraços    ****

Vivi

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