PUNIÇÃO – O QUE DEGRADA?

Nietzsche afirma – “ Desconfie totalmente daquele cujo impulso punitivo é muito forte.” O ato de punir de alguma forma, degrada aquele que pune. Culturalmente, a punição se integra ao contexto normativo da manutenção da ordem sob o viés do exercício de um poder “sobre” o outro.  É um poder desprovido do diálogo, da responsabilização, do respeito, da compreensão dos contextos e da complexidade das relações humanas. Punir pressupõe uma culpa e toda culpa, necessita ser punida, uma lógica fundamentada na força do poder controlador, dominante, vertical e autocrático. O mal feito para ser reparado necessita da compreensão, necessita de uma consciência que dialoga consigo, com o outro, com o meio para entender, aprender e transformar. A punição retira a compreensão, transformando o humano, tanto o que puni como o punido, em objeto a serviço de um poder controlador. A punição nasce e se desencadeia na consciência e no corpo daquele que puni. A dor que se quer infligir ao outro para subjugá-lo, começa no coração daquele que puni ou daquele que determina a punição. Portanto, desconfie sempre daquele que prega a punição como o único recurso de um “justiçamento”. Fundamental é distinguir punição de responsabilização. A punição não transforma apenas cria mais sofrimento. A responsabilização que nasce do diálogo que compreende o mal feito, é um caminho para a transformação.

Abraços   ****

Vivi

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