ONDE ESTÁ A FONTE DAS INSATISFAÇÕES PESSOAIS ?

Alan Wallace, em suas pesquisas sobre cognição, consciência e a verdadeira natureza da mente, afirma que “um dos enganos mais persistentes é a convicção de que a fonte de nossa insatisfação se encontra fora de nós mesmos”.  Por inúmeras questões culturais e religiosas, sobretudo os ocidentais entendem que, a fonte de seu sofrimento está no meio externo, sendo as contingências do ambiente  responsável, para não dizer “culpado” de suas angústias, medos, irritações, fracassos, decepções …

Fato é que, não aprendemos em nossa história cultural a reconhecer e nos aproximarmos de nossos corpos. Muitas vezes nos estranhamos somaticamente, mesmo porque não aprendemos a habitar nossos corpos. Quem reconhecia nossos corpos eram nossos pais e profissionais da saúde, o médico. Eles é que sabiam das nossas necessidades físicas e psicológicas.

Do ponto de vista religioso, também não aprendemos a reconhecer nossa vida espiritual, alguém fora de mim é que determinava minha trajetória espiritual, sempre na dependência de um autorizador, que em geral obedecíamos muito mais por temor do que por amor. Neste quadro cultural, não aprendemos a assumir a responsabilidade por nossas escolhas, projetando para algo ou alguém externo a mim, as causas das minhas insatisfações, fruto de uma cultura de subjugação. Ocorre que, como sujeitos de si, somos nós que fazemos nossas escolhas e portanto, somos absolutamente responsáveis por elas e suas consequências.

No plano político, a esquerda diz que a responsabilidade é dos direitistas e vice-versa. No plano religioso nada de diferente, onde cada segmento acusa o outro como responsável e cada um se diz portador “da verdade”. Os ateus acabam atribuindo os males do mundo aos crentes religiosos, e vai por aí a fora… Fato é que, se pudermos nos despir de todas estas vestes que encobrem a realidade, poderemos perceber com clareza que cada ser humano é responsável por suas escolhas. Quem traça as fronteiras entre o que está dentro e o que está fora de mim, sou eu mesmo. Sou eu que escolho as palavras do meu vocabulário e fixo as fronteiras referentes a elas na comunicação. Poder distinguir o que sou eu e o que é a cultura em mim, já é um grande avanço consciencial. Entender que a fonte das minhas insatisfações estão dentro mim, a partir da forma como conduzo o meu viver.

Abraços    ****

Vivi

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