O VIVO NA REDE

Quando o assunto é o ser vivo, evolução na interface com a biologia e suas relações com o meio, não há como negligenciar o referencial de dois biólogos extremamente conceituados, Humberto Matura e Francisco Varela. Através dos conceitos de organização autopoiética, que define todo e qualquer ser vivo sob a forma de uma rede de relações, estes pesquisadores definiram o sistema vivo “por sua organização e, logo, pode-se explica-lo como se explica qualquer organização, quer dizer, em termos de relações e não a partir das propriedades de seus componentes”. Como uma rede e suas relações, a organização possui uma geometria que é variável e ao mesmo tempo flexível, em constante construção de si mesma. É pela conectividade que a rede faz-se e refaz-se,nas conexões que cada “nó” estabelece com o seu vizinho na rede. Todos os nós ou pontos que compõe a rede, formando o seu tecido conectivo, pode funcionar como centros temporários e sujeitos a deslocamentos, ou seja, uma rede não possui um centralizador e sua estrutura é multidimensional. A rede define-se durante o seu funcionamento, configurando posições que não são configuráveis previamente, portanto não é linear. As conexões ao longo do funcionamento da rede se propagam por suas vizinhanças, em diversas direções de maneira às vezes divergente e/ou bifurcante. Toda rede está em constante mudança, é acentrada, suas conexões são irredutíveis a posições prévias e funciona na multidimensionalidade. Portanto, uma rede é diferente de uma estrutura formal, abstrata e separada de um devir. Uma organização autopoiética é uma autoprodução do vivo, que guarda a integridade do sistema vivo, caso contrário não será uma rede conectiva do vivo. Trazendo estas reflexões para as relações de convivência e pensando organização como um sistema vivo, se os protagonistas que compõe uma rede, um grupo, abdicarem dos “componentes orgânicos do vivo”, a rede estará fadada ao fracasso. Será que já sabemos compartilhar poder? Entendemos poder como potência a ser compartilhada entre os iguais? Sabemos dialogar, ouvir, incluir o diferente? Sabemos conviver num processo de hierarquia de realização ao invés de uma hierarquia verticalizante, onde o poder é exercido de cima para baixo? Somos equitativos e equânimes? Conseguimos aceitar e reconhecer as mudanças? Reconhecemos os conflitos como problematizações para soluções? Uma rede organizacional é viva quando funciona como um sistema, cuja base é a processualidade bifurcante  e criadora.

Abraços     ****

Vivi

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