O SILÊNCIO

“O silêncio não é uma porção de tempo no qual não proferimos palavras. Podemos não falar e estarmos por dentro em erupção vulcânica, portanto, não estaremos em silêncio. Silêncio como atitude é aquela disposição de dar mais atenção ao outro que a nós mesmos, de deixar que a palavra, o gesto e os sinais do outro sejam captados sem preconceito e ressoem dentro de nós. É permitir que o tu seja mais determinante do que o eu. Então, silenciamos. É só no nosso silêncio interior que a palavra do outro pode ecoar e se escutada. O mesmo vale para a Palavra de Deus. Se não abrirmos o coração para que essa Palavra reboe em nós, nos questione, nos faça crescer e nos enriqueça, nunca nos modificaremos de verdade, jamais seremos fecundados com uma semente nova e uma nova promessa de vida. Compartilho a opinião de colegas meus de pensamento teológico, como Hans Kung e outros, de que não haverá paz política no mundo se não houver anteriormente paz religiosa. Não haverá paz religiosa se não houver diálogo entre todas as religiões. E não haverá diálogo entre as religiões se elas não buscarem primeiro os pontos em comum e relativizarem os pontos de diferença. Realizada essa estratégia cria-se a base para um diálogo político entre os povos, capaz de criar as condições para a paz.”

LEONARDO BOFF

 

 

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