O QUE ESTÁ ACONTECENDO ?

O sociólogo francês Michel Maffesoli, conhecido por suas análises sobre a pós-modernidade, nos apresenta a seguinte reflexão: “Uma mudança central está acontecendo. A matriz social moderna revela-se cada vez mais infecunda. A economia, os movimentos sociais, o imaginário e até mesmo a política estão sofrendo a ressaca de uma onda gigantesca cuja real amplitude ainda não se consegue avaliar.” Estamos diante de desafios e dilemas éticos, onde não sabemos ao certo para onde ir nem como agir, pois as vias anteriores não se encaixam mais, não há mais conectividade. As situações se apresentam com tal configuração, dando a impressão de que, até mesmo os avanços conquistados pela humanidade nos últimos anos, estão perdendo força com uma aparência de retrocesso. Conquistas que imaginávamos definitivas parecem que estão retornando aos moldes anteriores, como se fosse um retorno ao violento e porque não, ao bestial. Será que estes avanços estão se dissolvendo ou estão se “coagulando”? Será uma saturação? São marchas e contramarchas, mutações e transmutações, provocadoras de desconforto e sensações vertiginosas que desestabilizam os alicerces que fundamentaram a modernidade. O que vem a ser o tão prometido progresso? Seria um grande mito apenas?  Ainda faz sentido? Será que o “Deus” de Nietzsche está morto? Então quem nos “salvará”? A cultura, a política,a ciência, um coletivo tribal, onde poderemos encontrar explicações sobre o que está realmente acontecendo neste contemporâneo? Teremos chances para nos humanizarmos? Sem a coragem da reflexão e isolados no egoísmo dos apegos aos padrões de pensamentos e idéias e lógicas mercadológicas, consumistas, não conseguiremos encontrar caminhos e possibilidades. Sem a coragem de ser capaz de um olhar refinado e profundamente honesto para o SI pessoal e ao mesmo tempo para o Nós do coletivo, da igualdade e da diversidade, não teremos a menor possibilidade de nos aproximar para reconhecer o que está acontecendo. Reflexão e inflexão, retornar ao “in” do interno para “ex” do externo ao mesmo tempo, a um só tempo e ainda “juntos”, no diálogo sincero, desprovido dos apegos da miséria da ignorância. Precisamos acordar para sair da lógica do “rebanho”, do “homem massa”, que se deixa automatizar porque não pensa, não pausa e se nega a refletir para ver além do marketing sedutor e hipnotizante.

Abraços    ****

Vivi

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