O ESPERTO E O TOLO

Numa sociedade completamente pautada por uma ideologia capitalista dos lucros espúrios, onde o “Estado é demonizado e o mercado é virtuoso”, lembrando as reflexões brilhantes do sociólogo Jessé Souza, não sobra espaço para se pensar em confiabilidade. Uma ideologia capitalista sustentada  no mais puro interesse do lucro a qualquer custo, que fabrica falsidades permanentes para manter os privilégios das “classes endinheiradas” que monopolizam as forças a seu favor, inclusive se utilizando de discursos “virtuosos” da sobriedade, acaba disseminando pelos ares a noção do esperto e sua “esperteza”. Ocorre que, dentro uma lógica muito simples, se existem espertos é por que existem os tolos. Então, quem são os tolos? Quando a capacidade intelectiva de um povo é sequestrada, paira nos ares a ideia de que ninguém pensa. Dois fatores emanam: primeiro é a imperativa necessidade de uma ação que estimule o pensar, o refletir para discernir e compreender o que realmente acontece. Segundo, com a entrada no cenário social da tecnologia onde as informações são veiculadas rapidamente, não há mais como uma classe de poucos privilegiados ocultarem seus favoritismos sustentados por uma moralidade que insiste em convencer os “desclassificados”, os “trabalhadores”, assalariados, de um “não merecimento”. Se há um esperto há um tolo. Ocorre que, “poucos” espertos se infligem sobre muitos considerados tolos. Então, quem é quem neste cenário? Um sujeito capturado pelo medo não consegue perceber que está sendo feito de tolo.

Abraços    ****

Vivi

 

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