O ESPAÇO DA ESCUTA

Imersos em tantos ruídos da vida urbana, que trazem agitação, distração, ansiedade, pressa, atropelos e tantas outras disfuncionalidades, as pessoas não conseguem ouvir nem escutar. As disfuncionalidades advindas do excesso de barulho afetam a vida social, relacional e pessoal de todos os cidadãos. Nossas crianças crescem aprendendo a gritar, a falar alto. Aprendem que ao elevarem o tom da voz, podem ter um lugar de expressão. Neste cenário quase patológico ninguém se entende porque não conseguem se ouvir, não conseguem um mínimo de espaço para serem reconhecidas, então quem fala mais alto tem a esperança de conduzir sua mensagem. Quando nos acostumamos a elevar o tom da voz, também por consequência, elevamos o “tom” das palavras que se tornam mais rudes, mais ásperas e mais hostilizantes. A mídia se aproveita destas anomalias socais, para gerar mais agitação que acaba desembocando num consumismo desenfreado e automatizado. Ilusoriamente passamos a acreditar que poderemos preencher um espaço de carência afetiva, com a compra de mais um objeto que muitas vezes é inecessário. Lembrando que todo este desconforto, poderia ser desfeito com um simples olhar silencioso de reconhecimento. Perceber que estamos “enlouquecendo” de tanto gritar, talvez seja um primeiro passo. Um passo que tem início no mais íntimo de uma pessoa. Quando reconhecemos os malefícios dos fatores estressores causados pelo barulho intenso, é o primeiro sinal para a cura. Abrir pequenos espaços para a escuta já é seguir na direção desta cura, começando por falar mais baixo, diminuir o som da TV, do celular e eletrônicos, para seguir no contato com a abertura de espaços para se ouvir. Somente quando valorizo a minha escuta pessoal, poderei valorizar a escuta do outro. Este é o verdadeiro espaço do encontro.

Abraços    ****

Vivi

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