O CORPO E O SOCIAL

Nós seres humanos vivos, pelo fato de existirmos, ocupamos espaços no espaço terrestre. Este é também o nosso território, além do território do espaço da corporeidade de cada sujeito humano. Como vivos, afetamos e somos afetados pelo meio externo, que afeta o meio interno somático da nossa individualidade. Não há separação, é uma evidência. Segundo Foucault, é sobre o espaço do corpo que se exercem as forças de repressão, da socialização, da disciplina, da punição. As forças dos movimentos sociais, sejam elas, ideias, fatos, acontecimentos, tendências, modas, culturas, linguagens, estão constantemente atuando sobre o nosso corpo vivo, que interage  com todos estes vetores. Como estamos imersos neste processo, não nos apercebemos das inúmeras interferências somáticas e então, somatizamos. Sabemos que o nosso sistema imunológico,  altamente sensível, fica vulnerável diante de tantas agressões,  geradas pela velocidade que tende a reduzir os tempos internos de processamento das informações. Expressões gestuais, a palavra articulada, o tom das vozes, o pulso respiratório e cardíaco, os ciclos de sono, atividade e repouso, o ritmo alimentar, tudo fica comprometido, diante das incontáveis agressões que o nosso corpo sofre ao longo da sua existência, no cotidiano vivido. Cada pessoa humana de acordo com a sua história pessoal , o meio em que vive e nas condições em que vive, responde de forma diferenciada. Felizmente, todos nós nascemos com um dispositivo: a capacidade de resiliência na busca pela homeostase para manter a sobrevivência. Porém COMO cada pessoa vai elaborar e processar os acontecimentos sociais em seu corpo, é algo imprevisível. Quanto mais atenção, mais percepção de si e percepção das forças sociais, maior é a probabilidade de respostas mais salutares no diálogo entre o meio interno e o externo, o externo e o interno, afinal eles se interpenetram, são permeáveis.

Abraços    ****

Vivi

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