NADA É O QUE TE PARECE

Quando olhamos o mundo, ouvimos histórias e acontecimentos, tendemos a acreditar como sendo a pura verdade de uma realidade. A partir de um olhar raso e irrefletido, passamos a considerar os fatos como sendo a expressão do mais verdadeiro e nos baseamos neles para construir ideias, tomar decisões, fazer conjecturas e esperar os desdobramentos programáveis pela nossa criação mental. Porém, “nada é o que te parece”. No geral, nem mesmo o que pensamos é factível de confiabilidade. Nossa mente imaginativa consegue criar cenários e imaginar fatos, discursos e narrativas, que colocamos inadvertidamente na boca e no coração do outro de nosso relacionamento e seguimos acreditando como sendo absolutamente verdadeiros. Imagens que criam outras imagens, cenas que constroem outras cenas e neste “teatro” queremos ter controle, sobre coisas que inexistem. Afinal, o que passa na mente de outra pessoa somente ela poderá saber. Seria uma tremenda audácia de minha parte querer saber e afirmar o que passa na mente do outro. Se mal posso saber do que passa na minha mente, como querer afirmar e controlar sobre o que passa na mente do outro. Este modo de pensar faz parte de um modelo mental, que adquirimos ao longo de nossa história e que tem a capacidade de gerar inúmeros sofrimentos para mim e para todos à minha volta. A realidade não é o que me parece ser. Mesmo em meus pensamentos, nem sempre poderia tê-los como  verdadeiros, pois a minha mente cria cenários fantasiosos através da minha imaginação. Quando dizemos – “eu acho que fulano ….”, “quase tenho a certeza que tal pessoa queria dizer isto para mim, ou estava pensando isto de mim”, “eu acho que tal pessoa deveria fazer assim, se não o fez tenho a certeza de que é por isto…”, e assim vamos criando cenários completamente imponderáveis e aqui sofremos, pois esperamos respostas que não existem na factualidade. “Nada é o que te parece”, é algo para ser refletido momento a momento, por toda a nossa vida. Distinguir o que é verdadeiro do que venha a ser fruto de uma simples construção mental, poderia ser uma prática de atenção permanente. Acredito que sofreríamos menos e causaríamos menos sofrimento para as pessoas de nossos relacionamentos. Portanto, atenção sempre, pois nada é o que me parece ser.

Abraços    ****

Vivi

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