INTERPRETAR OU REPRESENTAR – ONDE ESTÁ O APRENDIZ ?

Deleuze considera que, “a arte é o destino inconsciente do aprendiz”. Para ele, aprender é experimentar incessantemente, é fugir da representação e o aprendiz é aquele que permanece sempre em processo de aprendizagem. Aprende a pessoa que ao repetir é capaz do maior número de variações. Sujeitar-se à representação é sujeitar-se ao controle, às formas que se cristalizam porque são controladas por uma repetição que exclui a invenção. Interpretar permite variações, inclui a capacidade de modular e portanto, criar, trazer o novo. Neste sentido, aprender é estar atento às variações contínuas ao longo do processo cognitivo, um exercício do pensamento, da reflexão. Considerando que, a cognição comporta o encarnar o conhecimento, o corporificar o conhecimento, aprender é “transpirar”, transpor no gesto. Quando o conhecimento se expressa no somático, a cognição aciona a sua capacidade modulatória de agenciamento do conhecido, do experimentado e vivido, e o transporta nas ações e comportamentos com o meio e no meio ambiente, com toda a sua diversidade, onde se dá a aprendizagem. Aprendiz é aquele que se conecta ao meio, encarnado, vivo e criativo, modificando com o conhecido no devir, e não representando padrões que repetem as formas controladoras e automatizadas, que embotam o aprender, tornando estéreis, a potência do vivo.

Abraços    ****

Vivi

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