FILHOS DA ATENÇÃO

O racionalismo altamente valorizado na modernidade, fruto também do pensamento Kantiano, tem mantido um modelo cultural, onde a razão se faz central em todas as análises referentes ao ser humano. E.Kant, valorizou a razão como um meio controlador das relações humanas. Desconsiderar o aspecto racional no ser humano seria um grande erro, mas, considerar que o ser humano seja apenas racional, também passa a ser um tremendo equívoco. Somos racionais, mas também emocionais, sensíveis, relacionais, espirituais. O ser humano é uma completude viva, que se modifica a partir das suas experiências vividas e que vai além, muito além. Somos filhos e filhas do cuidado, da atenção, do compartilhamento, da solidariedade. Foi e é, a partir desta integralidade interdependente que todos nós, nos construímos, nos fizemos e somos feitos a cada momento vivido. Dentro desta história viva, orgânica, múltipla e diversa, nos construímos e nos fazemos como pessoas humanas, em nossos corpos, camada por camada, dentro na nossa humanidade comum. Por sermos filhos da atenção e do cuidado mútuo, é que conseguimos chegar até aqui em nossa evolução e maturidade. Foram as experiências do compartilhar, que nos permitiu garantir a nossa sobrevivência e nos fazer humanos. Mas onde isto se perdeu? Em que momento da história humana se desconsiderou a nossa sensibilidade, a nossa emocionalidade, a nossa capacidade de cuidar, cooperar e compartilhar, a nossa natureza empática, a nossa espiritualidade? Sempre que o valor maior está apenas e tão somente no aspecto racional, nos “coisificamos”, nos burocratizamos, nos desumanizamos. Assim, se fizeram ditaduras, economias de controle e conveniências para apenas alguns, assim se perpetuam as guerras, as exclusões e preconceitos. É preciso lembrar e lembrar sempre, que somos filhos e filhas da atenção cuidadosa, que nasce da nossa natureza comum: o espírito de solidariedade que tem no amor a sua fonte permanente de nutrição.

Abraços   ****

Vivi

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