DRAMA DIALÉTICO OU O DRAMA DOS OPOSTOS

A experiência do viver humano, já tem nos mostrado que as polaridades em seus pares de opostos, que se complementam na dinâmica do pulso vital, compõe a trajetória do vivo. Dia/noite, macho/fêmea, alto/baixo, quente/frio, direita/esquerda, acima/abaixo, são polos duais que se apresentam na concretude do viver biológico, na cultura, nas linguagens, nas narrativas, nas emoções e na mente humana. Cada polo deriva e se complementa com seu oposto, em alternâncias funcionais e ainda, em constante mutação, dentro do impermanente existencial. As instâncias antitéticas da mente dualista que abriga o prazer e a dor, a vida e a morte, eu e o outro, passado e futuro, que definem referências da vida biológica, da vida individual, da vida social, da vida moral, da História, são pares dialéticos que se manifestam nas relações com o outro, para de alguma forma, assegurar para si uma vida boa, evitando com todas as forças o mal, a morte e o sofrimento. Quando o humano nega a impermanência, ele cai na armadilha das expectativas ilusórias de uma visão ignorante e iludida do mundo por uma mente que insiste em manter o controle da dinâmica natural, para simplesmente manter o seu prazer e evitar a qualquer custo um possível mal. Talvez fosse cabível a pergunta: seria possível pensar que estamos, enquanto humanidade, num ponto de inflexão para gerar um oposto? Ou ainda, será que não seria importante começarmos todos a refletir que, a felicidade é algo que se vive no presente, nem no passado saudosista nem num futuro ilusório? Será que, se colocarmos um pouco mais de atenção, poderíamos entender que a fonte do sofrimento  está nos desejos egoístas que se escondem atrás da cobiça, do ódio, como fruto da ignorância que teima em justificar suas atrocidades?

Abraços    ****

Vivi

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