DO ÚNICO AO COMPLEXO

Diante da alta complexidade e diversidade da vida e do viver, se fixar em uma única ideia, mostra uma postura rasa e superficial. Tendo o pensamento cartesiano como um marco histórico na forma do pensar, aprendemos a raciocinar através da lógica linear e excludente. Aprendemos a quantificar, mensurar, comparar, inferir. Uma lógica que abriu os portais da ciência com avanços e benefícios para os diversos campos do saber.Na medida que o humano vai ganhando maturidade, a sua consciência se amplia e começam os questionamentos desta lógica que não consegue abarcar outros aspectos da vida e do viver. A noção de progresso nascida no período industrial,que permeou a modernidade e a pós modernidade, como afirmam alguns pensadores, sustentada no verificável e mensurável,ganhou força e se mantém até os dias de hoje dentro da lógica empresarial de mercado. Contudo, para uma aproximação mais real do funcionamento dos organismos vivos, incluindo aqui a sociedade, é impossível desconsiderar os aspectos não quantificáveis da vida. A lógica racional oferece explicações que a técnica consolida. Porém, nem tudo pode ser explicado tecnicamente como nem tudo pode ser mensurado. Ocorre que, não há como se fixar em uma única forma de pensar. Precisamos da lógica racional, técnica e quantificável mas igualmente precisamos de tudo que qualifica a vida. Não há como negar as instâncias do imprevisível, do aleatório, do incontrolável.O vivo tem um programa evolutivo, tem suas leis deterministas mas igualmente tem o improvável, o particular, dimensões deste mesmo vivo que estabelecem conexões que dependem de fatores que estabelecem configurações que fogem à previsibilidade e portanto, ao absolutamente quantificável e verificável. Existe um fluxo, um pulso que permeia as leis deterministas e ao mesmo tempo, as probabilidades do indeterminismo. Quando o raciocínio se baseia apenas nas evidências numéricas dos cálculos estatísticos, para algumas instâncias do viver, este raciocínio se mostra deficitário. Precisamos sim da lógica quantitativa mas, precisamos do complexo que abarca também o sistêmico. Pensar a vida e o viver, pensar o vivo, pensar organismo vivo, é pensar com amplitude, um pensar mais amplo, abrangente e flexível. Precisamos dos números como precisamos das relações, dos ambientes que formam e transformam, criam configurações e arranjos dentro do espectro do improvável. Não são raciocínios excludentes, mas complementares que conjugados podem se harmonizar.

Abraços    ****

Vivi

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