DO MAIS-VALIA PARA O MAIS-GOZAR

O clássico conceito marxista trouxe o termo mais-valia, no sentido de uso da força de trabalho, tendo a massa humana como uma força disponível para a produção capitalista, a ser explorada e usada. É quando o trabalhador “vende” a sua força de trabalho por um trabalho que ele mesmo nunca receberá. Lacan propõe o conceito de mais-gozar. Um gozo perdido que poderá ser recuperado pelo mais-gozar. Na passagem do capitalismo industrial para o pós industrial, da sociedade industrial para uma sociedade de consumo, não se trata mais de apenas mais-gozar, mas de hipergozar. Nasce aqui uma promessa permanente de se apropriar de algo que se apresenta desde o início como inadequado. Uma sociedade líquida, pasteurizada, como diria Bauman. Nesta loucura insana em busca de um prazer permanente, o tédio se apropria dos corpos que se tornam objeto das plásticas e botox, do tira e põe, do estica e puxa, para obter a falsa sensação de pertencimento e reconhecimento como ser humano. São corpos deformados, com mentes doentias que servem a um capitalismo cínico e parasitário, que se deixam ser objeto para servir a um mercado capitalista, que visa apenas o lucro imediato. Uma percepção um pouco mais refinada, poderá perceber que este cenário de insanidade só pode reverter em violência, corporal, mental, afetiva, relacional, individual e coletiva. Onde estamos então?
Abraços ****
Vivi

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