DO EU EGOCÊNTRICO AO NÓS DA COMUNIDADE

A passagem cultural e atitudinal de um EU egocêntrico para um NÓS da comunidade, tem sido sinalizado por inúmeros pensadores, de Martin Bubber a Edgar Morin. Como toda mudança paradigmática, esta também traz seus desafios. O individualismo que tem imperado como modelo na sociedade capitalista de mercado, evidencia-se hoje fracassado. Os organismos vivos são relacionais e interdependentes, não há separação entre o humano, a natureza e a sociedade. Assumir na práxis cotidiana que toda relação  humana está inserida na relação comunitária, talvez seja o salto que a humanidade precisa alavancar na sua consciência. O ser da comunidade, ainda tem sido um lugar de estranheza em nossas relações. A comunidade precisa ser incluída e considerada nas decisões das pessoas. É a comunidade que viabiliza o trânsito relacional, comunicativo, onde ocorrem os encontros, as trocas de saberes, onde as experiências são vividas, e para que isto se consolide o pronome é o NÓS. O EU é individualista e tende à homogeneização no consequente controle. O EU do isolamento empobrece os organismos. O Nós amplia, potencializa, cria e recria, estabelece elos, ligações e vínculos, legitima e dignifica. Nesta passagem do EU para o NÓS, a educação, a política, a justiça, a rede comunicacional, apresentam-se como determinantes fundamentais. Considerando que a mudança de paradigma começa na subjetividade, a mudança é no olhar, na visão, nas posturas diante da vida, uma mudança somática. Corpos hedônicos capturados pelos modelos de beleza performática do mercado consumista, não conseguem desenvolver uma visão ampliada e reflexiva, são subjetividades aprisionadas, que abdicaram de sua liberdade, deixando-se viver como em “manadas”, no automatismo das modas que servem ao capital financeiro. Portanto, a passagem do EU egocêntrico para um NÓS da comunidade, requer força interna, presença atencional, boa vontade, para compreender que ‘somos o que somos porque todos somos’, ou seja, porque convivemos, coexistimos e que os saberes se fazem nas trocas,onde não há um dono ou detentor isolado, mas se constrói junto, na comunidade.

Abraços   ****

Vivi

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