DO ANALÓGICO PARA O DIGITAL

Parece pouco, mas a mudança é grande. Com a mudança das configurações, mudam-se as formas sociotécnicas de sujeição ao controle, lembrando Deleuze. O digital vem com as “coleiras eletrônicas” que nos são impostas e que no mais das vezes não percebemos. Daí a necessidade da atenção e de um sujeito que reflete e tenha um olhar em perspectiva, contextualizado, caso contrário nos submetemos ao poder-saber e seus mecanismos de exclusão. No mundo analógico, tínhamos como referência a nossa carteira de identidade. No mundo digital somos referenciados pelos cartões de créditos, senhas e mais senhas, que nos controlam, obtém nossos dados e vendem como mais um produto a ser consumido por empresas que necessitam identificar o perfil do consumidor que irá consumir o seu produto, e a partir daí, montar suas estratégias de venda. Assim, como consumidores, passamos a ser mais um produto à venda, disponível no mercado. Na sociedade contemporânea há um deslocamento das nossas referências. De sujeitos definidos e localizados num Estado-nação, dentro de um território geopolítico, com local de residência e nascimento, para um sujeito nos seus relacionamentos com as inúmeras corporações do mercado globalizado. Uma grande mudança que exige igualmente uma grande mudança interior, de consciência ampliada, sem a qual seremos capturados pelo jogo interesseiro do mercado. Portanto, toda atenção é pouco em tempos de mudança.

Abraços    ****

Vivi

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