DESAFIO NA SIMPLICIDADE

Nem tudo que é simples é superficial. Exatamente por ser simples a profundidade parece não existir. Numa cultura onde muitos são os adereços, com ofertas a serem consumidas para todos os gostos, na grande variedade de produtos, para que ninguém fique de fora do jogo da sedução, temos sido treinados para valorizar o mais caro e mais rebuscado. Neste feitiço, passamos a aceitar o que for mais enfeitiçado,  atraente, desvalorizando as coisas mais simples.

A partir da segunda metade do século XX, com o nascimento da neurociência e o avanço tecnológico, pesquisadores de inúmeras universidades tem se dedicado  a pesquisar o cérebro, a mente, suas funções, conexões e como os ambientes podem influenciar e modificar as respostas metabólicas e comportamentais.

Neste campo fascinante da neurociência, os conceitos referentes à neuroplasticidade, neurogênese, epigenética, tem auxiliado a entender o quanto o stress pode prejudicar as funções orgânicas e as respostas comportamentais. Um dos cientistas de grande relevância nestas pesquisas, Alan Wallace afirma que “estudos em animais e humanos mostraram que carinhos maternos adequados e baixos níveis de stress são importantes para produzir níveis apropriados das substâncias químicas cerebrais necessárias à saúde e ao equilíbrio emocional.”

O stress permanente é altamente prejudicial à saúde mas certos tipos de atividades a promovem. Aqui entra o papel preponderante da Meditação e das Práticas Atencionais do Centramento. Até pouco tempo a meditação era considerada como algo “marginal”, sem nenhuma relevância para a ciência. Com a chegada da neurociência a Meditação e as Práticas Atencionais, tem revelado aos cientistas, dentro de inúmeras universidades, nacionais e internacionais, resultados satisfatórios para o equilíbrio da saúde física e mental, sendo recomendada pela comunidade científica no tratamento para hipertensão, arritmias cardíacas, dor crônica, insônia, para os efeitos colaterais da terapia do câncer e da AIDS, na ansiedade, na depressão, na irritabilidade, hostilidade.

Ocorre que, pela falta de informação, pelos padrões mentais de resistência e até intransigência, pelos padrões culturais que acabam confundindo com religião, a Meditação e as Práticas Atencionais ainda são pouco aceitas por um grande número de pessoas. Voltamos então à questão básica: o desafio da simplicidade. Talvez por serem práticas aparentemente tão simples, são desconsideradas e negligenciadas pelas pessoas cujos padrões mentais as impedem de ao menos buscar mais informações.

Abraços    ****

Vivi

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