DEPENDÊNCIA E VÍCIO

Sendo biologia e cultura, os seres humanos no viver cotidiano de suas relações tentam encontrar meios para lidar com aspectos paradoxais de si mesmo: altruísmo e egoísmo. Por toda a história evolutiva, nós humanos dependemos do amor mais que qualquer outra espécie viva. Sob o aspecto biológico , nosso cérebro evoluiu a partir do cuidado afetuoso. O amor materno e sua poderosa base hormonal, associou um modo cultural que se organizou pela dedicação e altruísmo, nas preocupações da mãe com o seu filho, como uma necessidade protetiva,  garantindo a sobrevivência do filhote humano. Os neurônios-espelho, situados na região frontal do cérebro, nos induziu à empatia e à capacidade de sentir a dor do outro como se fosse a nossa. Ao mesmo tempo, o “velho cérebro” reptiliano, impulsivo, reativo e ativo na luta individualista pela sobrevivência e prazer individual, tem nos deixado, conjuntamente com a cultura, como que “viciados” em egoísmo. Uma sociedade muito marcada pelo individualismo, isolacionismo, prazer pessoal a qualquer custo, pouco tolerante, por vezes prepotente, tem como resultado uma intensa ativação desta camada cerebral mais primitiva e ancestral, condicionando um modo de ser voltado ao favorecimento egóico e infantilizado. Como seres humanos vivos, dependemos do amor, do afeto, do cuidado do outro mas, ao mesmo tempo ainda nos mostramos viciados em egoísmo. A passagem de uma consciência infantilizada para uma consciência de maturidade relacional, pede urgência de um processo educacional, que alimente nossa capacidade de cooperação, de compreensão, de auto-confiança, alegria, amizade. Pede espaço para que a potência do vivo se manifeste, sem negar nossos medos mas, ao mesmo tempo, sem medo de viver o pleno potencial excitatório, pulsátil, vibrante de todo ser humano vivo e humanizado.

Abraços    ****

Vivi

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