DA CULPA À VERGONHA

Passamos longos anos sob a égide da culpa, quando algo era transgredido. Dentro da lógica formal disciplinar, as regras deveriam ser obedecidas regiamente. Os espaços para o diálogo, dentro das instituições eram inexistentes e as condutas relacionais eram formalizadas. Os lugares bem marcados e  determinados até o século XIX e começo do século XX , começam a se alterar na medida em que os ventos do contemporâneo começaram a soprar com força total.

Após as duas grandes guerras, importantes deslocamentos interferem diretamente nos regramentos, alterando as relações sociais em todos os seus espaços. Inicia-se a passagem da culpa à vergonha. A culpa, mais interiorizada e íntima se encaminha na direção da vergonha, que aparece de forma mais externalizada e pública. São revelações da emocionalidade na subjetividade do contemporâneo, particularmente manifesto entre os mais jovens e intensificado pelo Twiter, Facebook e outras mídias nas redes sociais.

A tecnologia e o midiática tem um papel preponderante nestes deslocamentos ao enfatizar a  espetacularização cotidiana, interferindo de forma decisiva na subjetividade e nos corpos do contemporâneo. O sujeito passa a ter vergonha do corpo, da voz, do jeito de ser, do lugar social, vergonha de si mesmo, dentro das referências ou cobranças de um padrão estético e monetário-consumista, que serve ao mercado, que por sua vez  estimula seus consumidores e produtores, ou seja nasce uma outra forma de aprisionamento.

Se perceber nestes padrões capturantes do contemporâneo, seria já um passo adiante na consciência. Mudar para transformar, sinaliza um longo caminho onde nem culpa nem vergonha, mas apropriação de si mesmo, do potencial pessoal.

Abraços   ****

Vivi

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