CORRETIVO NÃO É PUNITIVO

Aprisionados no modelo disciplinar, hierárquico, monolítico, o contemporâneo encontra resistência em fazer uma nova dobra no processo civilizacional. Com o declínio da sociedade industrial dos corpos dóceis, disciplinados e úteis e com a decadência da figura do homem-máquina, o autômato, novos ares começam a permear as relações humanas. A tecnociência contemporânea aponta para novos modos de subjetivação. São novas formas de pensar, de viver, de sentir, de agir, são novos modos de ser e estar neste mundo. Novas linguagens acabam gerando novas formas de interlocução nas relações de poder. O contemporâneo, com suas redes de relações, não se disponibiliza mais em aceitar passivamente a punição pela punição, na arbitrariedade. Embora que já tenhamos leis que evidenciam tais mudanças, ainda agimos pelo modelo disciplinar, onde a punição esvaziada da reflexão, desemboca na hostilidade. O sujeito autônomo pede espaço de voz, porque a liberdade não existe sem dignidade. Se a responsabilidade é um valor e se para conviver nas diferenças é preciso organização, mudaram as formas de intervenção. Toda correção é necessária para a preservação do bem comum, mas, ela só terá sentido se estiver acompanhada do diálogo, no intercâmbio entre as ideias. Este talvez seja o espaço que a sociedade contemporânea começa a construir, onde não cabe mais punição pela punição, mas colaboração, cooperação. Onde a correção sempre deverá vir acompanhada da contextualização que amplia a percepção, abrindo o espaço para considerar o lugar comum, o mundo comum. Aqui todos podem ser contemplados e incluídos na igualdade de direitos, mas sem jamais desconsiderar o bem comum. Este é o lugar do verdadeiro cidadão.

Abraços    ****

Vivi

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