CORPO COLONIZADO

Corpos infantilizados se infantilizam como recurso de sobrevivência num mar de sofrimentos,  impedindo as passagens do pulso vital, do fluir da vida.  A ausência de espaço para pensar e refletir a existência, transforma os corpos em colônias do capitalismo. São corpos que se submetem à repetição automatizada de certas formas de existir, co-corpando com estas formas destituídas de recursos internos para pensar, decidir e escolher com autonomia. São corpos explorados pelo colonialismo capitalista, sem recursos emancipatórios. São corpos-objetos. Saber pensar-corpo é saber-do-corpo, é saber de SI, no processo contínuo de produção de corpo, produção de tecidos e camadas. Um corpo-objeto, que serve ao colonialismo capitalista, é explorado pelo consumismo automatizado, que se deixa ser estigmatizado, rotulado pelo imenso rol de afecções: hiper-ativo, apático, depressivo, com pânico, com algias das mais diversas, entediado, com síndromes e mais síndromes, que a todo momento favorecem a medicalização capitalista.  Um corpo despossuído de SI, passa a aceitar e acreditar na sua própria impotência. Quando isto acontece, o corpo é colonizado, é capturado pelas forças capitalistas nas diversas vias por onde ela se expressa: nas modas medicalizantes, nas modas de atividade física, nas modas religiosas, nas modas acadêmicas, nas modas dos vestuários, nas modas financeiras, em fim … em tantas e tantas modas oferecidas pelo cardápio capitalista para ser consumida, descartada e substituída rapidamente por uma outra moda. Um corpo colonizado pelo capitalismo é corpo desvitalizado, habitado por um sujeito que se assujeita na sua subjetividade a permanecer nas formas infantilizadas e por vezes perversas, que gera sofrimento para si e para todo o seu entorno. Um corpo colonizado, é um corpo que sofre do desafeto de SI, gerando desafetos aos outros entorno de si.

Abraços    ****

Vivi

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