CONTRADIÇÕES: CONTRATO OU BOM SENSO

O problema central da Ética, das Religiões e da Psicoterapia, se incide em como conviver com as contradições, que se polarizam em conflitos, entre os desejos de entregar-se ao prazer e os desejos de renunciar a eles. As pessoas querem se felizes e passam uma vida na busca de sua felicidade. A Psicoterapia como as Religiões, apresentam orientações para iluminar o caminho para o bem-estar, de tal forma que as pessoas possam encontrar alívio para o sofrimento das dores emocionais. Contudo, a grande questão é como lidar com as contradições de uma mente que impulsiona o ser humano para os seus prazeres pessoais e ao mesmo tempo, as vozes da consciência que informam os riscos e os regramentos. Como encontrar o estado de discernimento e bom senso, em meio a tantas contradições que se distorcem em emoções e racionalizações que justificam os excessos e ao mesmo tempo as mortificações? A religião durante tantos anos apresentou seus regramentos, sustentados pelos temores em pactos e contratos. A psicoterapia busca explicações que sejam plausíveis de entendimento e ajustes entre a razão e as emoções, entre as memórias e os impulsos, na tentativa do bom senso. Neste cenário conflituoso surge a Ética. Os gregos afirmavam que a Ética era a suprema ocupação da mente no cuidado com a alma em toda a jornada pela vida, na busca do justo meio. O que se evidencia no cenário humano contemporâneo, tem sido a questão entre as regras e contratos impostos ao londo da história, por leis religiosas e institucionais e os desejos e vontades que não conseguem serem refreados por estas leis externas e acabam pendulando para a banalização e os prazeres egoístas. Embora que, na história humana civilizacional as vozes da ética tenham sido apresentadas por incontáveis pensadores, filósofos, religiosos, psicoterapeutas em todos os momentos históricos, o ser humano ainda é intensamente pobre na consideração do valor ético. A ética ainda é um espaço psíquico a ser construído na mente, na consciência e nos corpos humanos. Ainda não conseguimos ver a necessidade fundamental de uma postura ética em todos os campos e ambientes do viver e conviver da sociedade humana. Como ter bom senso em meio a tantas contradições? Já sabemos que os contratos acabam na “hora dos destratos”. Já sabemos que facilmente escorregamos em desejos egoístas. Então, como alavancar processos internos e externos onde o bom senso possa ser minimamente considerado diante das contradições?

Abraços    ****

Vivi

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