CONFIAR OU DESCONFIAR

Humanos que somos dependemos sempre do outro. Somos seres de relação em relação. É através do outro e com o outro, que o ser humano se reconhece na sua humanidade, na sua alteridade. Para haver relação um dos valores fundamentais é a confiança. O bebê precisa confiar para sobreviver, assim como o idoso, na sua limitação ele depende da confiança e da solidariedade do outro. Um povo se estabelece como povo através das relações de confiança que se estabelecem entre as pessoas no conviver cotidiano. Seja um pequeno grupo seja uma nação, o que nos enlaça é a capacidade de confiar. Aqui adentramos nas questões de autonomia e heteronomia, aqui adentramos na gênese do processo vivo que se estabelece entre um povo, uma nação, instituições, Estado e cultura. Aqui adentramos em questões ideológicas e como se processam as narrativas das lideranças para ganhar a confiança de um povo, de um agrupamento, de um cidadão. Nesta dimensão, o poder da autoridade tende a prevalecer. No processo de modernização que vem historicamente acontecendo nos últimos anos, é bom lembrar como as bases religiosas e ideológicas permeiam nas narrativas construindo um certa convicção do que é confiável e do que não é confiável. Quando a dominação social, no aspecto cognitivo e moral se constrói sobre bases em que alguns merecem confiança e outros não merecem confiança, através de discursos maniqueístas em que alguns são confiáveis porque mais inteligentes e bons e outros, não são confiáveis porque são incompetentes e incapazes de entendimento, toda atenção é necessária. Neste cenário se evidenciam as formas de ocultar as reais distorções de uma sociedade desigual. Portanto, toda atenção é necessária para se ter bom senso e distinguir os discursos que abrigam hipocrisias. A confiança é fundamental na vida relacional humana, mas, quando ela é usada para desestabilizar as relações através das palavras falsas, isto é a evidência de uma violência simbólica que permeia o imaginário, a mente, o corpo, a vida psíquica, emocional e relacional das pessoas colocando em risco a própria vida, a vida de todos nós, humanos.

Abraços    ****

Vivi

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