CONECTAR E RECONHECER PARA TRANSFORMAR

O corpo é a principal marca identitária do ser humano.  O reconhecimento do corpo é fruto de uma disposição volitiva de estabelecer conexão somática, através dos canais senso perceptivos , onde a atenção refinada tem sua presença permanente e autodeliberada. Conhecer-se é uma experiência de liberdade. A fuga do processo de homogeneização das aparências e do totalitarismo fotogênico, presente no mercado capitalista que estabelece pelos modismos, os modelos idealizados da indústria dos cosméticos, botox, lipos e plásticas infindáveis, tornando corpo-matéria, demanda consciência reflexiva com firmeza de caráter. Sair da armadilha que captura os corpos e suas subjetividades, moldando-os a serviço do consumo abusivo, não tem se mostrado uma tarefa nem fácil nem simplista. Para transformar é preciso querer educar, não moldar ou modelar. A capacidade de qualificar a funcionalidade dos movimentos, gestos, expressões faciais, locomoção, enfim toda a grandiosidade de movimentos articulados que o corpo humano é capaz de realizar, em consonância com suas emoções, sentimentos, pensamentos, com o ser pessoal e absolutamente único que é cada ser humano na sua existência, oferece a possibilidade transformativa. Sem agressões à forma, mas pelo exercício de reconhecimento amoroso de si, em delicada sintonia conectiva, na proximidade com o ser que se é, no tempo e espaço pessoal, tem se mostrado a chave para a mudança. Primeiro conectar, para depois reconhecer e poder então transformar. Toda mudança não se faz isolada: corpo e subjetividade, forma e movimento, história e ambientes, encontros e vínculos, são todos elementos interligados que acionados adequadamente evidenciam o potencial transformativo que todo humano vivo possui. A questão é saber acionar e como acionar a chave para abrir os espaços. É querer ser pleno de sua vitalidade, é ter a humilde coragem de entregar-se a si próprio e ao mesmo tempo à inteligência  viva da vida. É acreditar em si e na vida.

Abraços   ****

Vivi

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