COLETIVO E INDIVÍDUO : SOMOS CORPOS VIVOS

Quando a palavra corpo aparece, de imediato é associada ao corpo humano. Um corpo que nem sempre é compreendido como vivo e ainda conectado a um outro corpo, o corpo urbano, o corpo das cidades, onde vivemos e transitamos. Aqui coletivo e indivíduo se entrelaçam com tanta intensidade, que pouco se distingue ou se percebe que o coletivo urbano é constituído e é reflexo dos corpos individuais e vice-versa. Ambos são corpos vivos, orgânicos, que se transformam, se afetam e estão em permanente construção de si. As cidades mudam assim como os nossos corpos mudam, porque o vivo muda, se adapta, num processo sistêmico e complexo. Com o crescimento vertiginoso de nossas cidades, na expansão da modernidade urbana, nos isolamos, afinal as nossas cidades continuam sendo construídas para o isolamento. O urbanismo modernista tem enfraquecido o espaço público como o lugar do encontro, o lugar de interação social. Não há mais tempo para os passeios nas calçadas e praças, mesmo porque também não há mais calçadas nem praças, hoje temos supermercados e shoppings. Corredores que expõe mercadorias onde além de sermos consumidores também somos consumidos pela máquina capitalista, pelo poder sedutor da compra. Se não houver necessidade, cria-se. Fato é que, o corpo urbano cada vez mais tem afetado os corpos pessoais, onde também não conseguimos mais distinguir as vias por onde poderíamos trafegar com tranquilidade. Nossos corpos servem ao mercado. Há que ser rápido, veloz, não há como estacionar. Nossas vias de circulação internas estão congestionadas de informações, de compromissos, de medos, de agendas sem espaço algum. Se não valorizarmos os modos alternativos de circular nas cidades, com ênfase na sustentabilidade ambiental, dos espaços físicos, territoriais e psíquicos, seremos todos tragados pela máquina consumista, que consome espaços e relações. Se não desobstruirmos nossos espaços internos, com pausas que lentifiquem o nosso viver, pausa para refletir e escolher, acabaremos na loucura disseminada pela ilusão de liberdade mas  que, na realidade é aprisionamento e escravidão. Fato é que, tal no coletivo, tal no indivíduo, nossos corpos se afetam, pois um é o reflexo do outro, um espelho de si no coletivo desumanizado de milhões de sis.

Abraços    ****

Vivi

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