AUTOGOVERNO OU VIGILÂNCIA PERMANENTE

 

A passagem de uma sociedade disciplinar para uma sociedade informatizada, é algo bastante significativo com incontáveis desdobramentos. A sociedade disciplinar se fez referenciada no modelo analógico, tendo o confinamento como procedimento, cujoexemplo mais evidente é o sistema prisional, com suas grades, seus cadeados, suas normas estritas e severas punições.

A sociedade informatizada nos moldes digitais, tem as redes de conexão global como a internet, a telefonia celular e as redes sociais do Twitter ao Facebook, como sua funcionalidade. Estamos todos deixando um regime de confinamento para atuar em rede eletrônica aberta e sem fios, onde a palavra é conexão. Hoje é preciso estar conectado. A comunicação mudou e com ela a linguagem. Não há mais espaço para uma lógica de confinamento disciplinar, o importante é estar na rede, ser visto e acessado, gerando um fazer com prazer.

Se não há mais um sistema disciplinar impositivo a ser obedecido sem discussão, onde fica o controle? Para controlar a massa desgovernada, a vigilância permanente, 24horas no ar, com todos os dispositivos eletrônicos precisam ser acionados, registrados, filmados, como garantia de alguma coisa que também ainda não sabemos. Então, o que não sabemos mais? Estamos perdendo rapidamente a capacidade do autogoverno, da autogestão de si mesmo, já não sabemos mais o que significa ser indivíduo e ser cidadão, já não reconhecemos limites.

O prazer imediato impede o reconhecimento de si e as relações público e privado se alteram, onde não se consegue mais distinguir valores como responsabilidade, respeito, compromisso, cooperação e menos ainda, o sentido do bem comum. Desprovidos de autogovernança, o tecido social  necessita ser preservado, então o controle passa a ser realizado pela vigilância permanente das câmaras filmadoras instaladas em todos os ambientes e espaços comuns possíveis, inclusive nas escolas, em seus espaços, corredores e salas de aula. Será mesmo este o caminho, que poderá conduzir o ser humano na direção da sua maturidade para lidar com toda a sua diversidade?

Abraços    ****

Vivi

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