AQUELE QUE ME FERE

O cenário do contemporâneo tem transmutado nossas relações, nossos corpos e nossa subjetividade. Sustentado em seus pilares mais evidentes, a lógica do mercado, dos meios de comunicação e da mídia e da tecnociência, a experiência humana do tempo e do espaço tem sido altamente afetada.

Sem as bases formais regradas e disciplinadas  do iluminismo, o mundo da modernidade se vê destituído de balizas, onde o dinheiro fala mais alto e a urgência de resultados imediatos e lucrativos é meta para todos, em todos os setores. Quando o Estado já não exerce seu poder regulador, o lucro no capitalismo é a prioridade com grandes espetacularizações. Todos estes componentes desta maquinaria, que não pode parar de funcionar para que o sistema gere mais dividendos para alguns, tem gerado corpos e subjetividades inseguros, desconfiados e medrosos. Já não sabemos como fazer o ajuste dos valores universais dentro desta lógica lucrativa da vantagem, conveniência e competição.

Se o medo já se fazia presente deste a nossa ancestralidade, até como medida protetiva de preservação da nossa sobrevivência, nestas circunstância onde tudo muda e muda rápido e o sujeito perdedor e  fracassado não tem espaço algum, portanto é um  “nada”, os medos ansiosos se potencializam e a violência se fortalece, é o drama do contemporâneo! Se vivemos juntos, nas ruas, nos supermercados, calçadas, meios de transportes, nas nossas casas e famílias do jeito que é possível ainda ser uma família, invadir o outro, violentá-lo, com palavras, tom de voz, gestos e insinuações quando não com a própria violência física, os medos aumentam e com ele a insegurança e desconfiança.

Nossa biologia ancestral nos diz:  lute ou fuja! Quanto mais medo mais violência e neste ritmo estamos nos destruindo.  Outro dia ouvi uma frase interessante: “as pessoas que nos ferem são prisioneiras de seu medo”. Perfeito, encaixe total, pois o medo pode conduzir à violência, seja ela qual for.  Sendo assim é fundamental que fiquemos atentos aos nossos medos, fazendo contato com eles pois num momento de distração podemos  usá-los  contra nós mesmos, lembrando que, para ferir o outro antes tenho que me ferir, pois a ação parte de dentro mim mesmo.

Abraços   ****

Vivi

 

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