ACUSAR OU PROMOVER – UMA ESCOLHA PEDAGÓGICA

Diante de um conflito, por mais “banal” que ele seja, a primeira atitude  que em  geral aparece, é saber quem é o culpado. Parece que,  se o culpado for encontrado, resolveremos prontamente o conflito. Será verdadeiro?  Mas o que significa conflito? Conflito é diferente de problema? Conflito e ofensa são iguais? Todo conflito pressupõe um culpado apenas? Todo conflito possui uma única causa? Muitas são as perguntas diante das situações constrangedoras e antagônicas, por vezes com teor  agressivo, que envolve poder numa relação assimétrica, causadora de danos às  pessoas e que resulta em violência, seja ela moral, material ou até mesmo física. Na diversidade natural de nossa humanidade, onde a multiplicidade cultural de modos de ser e fazer emerge nas relações, conciliar na convivência as divergências não tem se mostrado uma tarefa fácil.  Embora que,  tenhamos evoluído social e tecnologicamente, ainda não sabemos  nos relacionar quando emerge as divergências. Equivocadamente temos entendido que,  se encontrarmos um alguém que podemos chamar de culpado tudo se resolve. Grande ilusão, mesmo porque nunca existirá um “culpado”, ou melhor,  um responsável, como nunca existirá um único fator. Se coexistimos como humanos, muitos são os fatores como  múltiplas são as causas. Se não forem  consideradas  as histórias pessoais, o contexto cultural, político, antropológico,  os territórios existenciais da subjetividade, caímos no plano simplista do julgamento estéril. Estabelecer canais onde seja possível construir um lugar seguro para uma conversa verdadeira, que muitas vezes não é fácil, onde as pessoas envolvidas possam ter voz, falarem e serem ouvidas, na sua dor, na sua raiva, nos seus sentimentos e necessidades, não estaremos promovendo o crescimento maturacional da consciência  humana, não haverá o lugar da responsabilidade. Se interconectados, todos somos responsáveis, os diretamente envolvidos num conflito como igualmente as pessoas  mais distantes. Acusar não tem se mostrado eficaz em nossa história, não faz mais sentido. Quem sabe possamos juntos agir  na direção de um processo pedagógico mais salutar socialmente,  promovendo o melhor e o maior de todos e de cada um. É uma  escolha!

Abraços    ****

Vivi

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