A SOMBRA

“Os junguianos falam de um mecanismo que nos permite esconder de nosso eu consciente os motivos, desejos e tendências menos louváveis que influenciam nossos pensamentos e nossos atos e às vezes emergem no sonho.” Esta referência  da escritora Karen Armstrong vem, vem pontuar a necessidade de estarmos conscientes dos aspectos obscuros de nossa personalidade, lugares pouco acessados, mas, altamente reveladores do nosso eu mais profundo. Todos nós humanos, apresentamos uma face luminosa, mas, igualmente uma face com a qual nem sempre estamos dispostos a trazer à consciência. Se pudermos compreender que estamos em constante processo de formação, que temos uma vida inteira para nos aprimorar, negligenciar as oportunidades reveladoras de nossa sombra, revela uma atitude infantilizada de nosso ser. Estar de mãos dadas com a nossa sombra, com os aspectos mais sombrios do nosso ser, é ter a coragem de se reconhecer, conhecer, para poder se transformar. Se não tivermos a humildade e a abertura para a transformação, continuaremos numa infantis, mesmo estando já na idade adulta. Ao nos apossarmos desta região mais obscura de nossa psique, como os desejos de vingança que aparecem em determinadas situações, fantasias sexuais, estranhas crueldades, que podem nos horrorizar em determinados momentos, mas, é a chave para a transformação. Além disso, se não conseguirmos aceitar nossa sombra, é bem provável que julgaremos e veremos com maus olhos a face obscura dos outros. Quem não consegue lidar com suas próprias inclinações, passa a acreditar que só os outros são maus e desprezíveis. O reconhecimento de nossa sombra, com respeito e maturidade, nos permite seguir rumo à nossa liberdade.

Abraços   ****

Vivi

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