A CULINÁRIA DA VIDA

Viver é conviver. Nenhum ser humano sobrevive sozinho, é na relação que a vida acontece. O viver inclui inúmeros processos, ou elementos que necessitam serem dosados, adaptados, para se adequarem às necessidades de cada momento, nos encontros e acontecimentos. Como tudo está integrado na dinâmica permanente do viver, saber as dosagens e as misturas corretas dos ingredientes, é um ato de sabedoria, de habilidade culinária. A seleção dos temperos adequados para cada situação específica depende da temperança, do sentido de moderação do cozinheiro, que equilibra o peso da balança. Há momentos que a vida relacional pede mais firmeza, outros mais flexibilidade, outros mais proximidade, ou mais distanciamento. Há que saber pausar, esperar, pois cada pessoa tem o seu ritmo próprio, o seu tempo formativo, o importante é não desistir e continuar “mexendo”, para não perder o ponto, com muita atenção. Há um ingrediente que não pode faltar: Bom Humor. Este é especial e com ele a Atenção constante. É a atenção na presença que indicará as dosagens adequadas, do sal ou do açúcar, afinal para que as relações se vinculem calidez e amorosidade não podem faltar, pois elas são fundamentais para dar o “ponto certo na hora certa” da confiança. No cozimento das relações, tanto a firmeza quanto a leveza, precisam ser bem dosadas, sem excessos, nem para mais nem para menos. A culinária da vida é uma arte, como todas as artes. Sem arte o conviver nas diferenças pode ficar insuportável. O espírito criativo pode oferecer novas possibilidades de temperos e ingredientes para um cardápio mais elaborado, mais inteligente, mais justo e com mais sabedoria. Há que treinar e praticar. Só ler os livros de auto-ajuda das incontáveis receitas e combinações de cardápios que estão à venda nas livrarias e disponíveis na internet, não é suficiente para se fazer uma refeição “relacional” saudável e nutritiva. Há que ter um bom “orientador” aquele que tem dentro da sua alma, que já incorporou e muscularizou  as receitas  agregadoras que alimentam a vida, sem modismos de dietas que servem ao consumismo irrefletido. Conviver bem se faz convivendo. Só se aprende a fazer fazendo, na experiência viva da dinâmica do viver. Quando a boa vontade, o bom humor, a paciência, o amor e a atenção se encontram, o tempero fica no “ponto certo”.

Abraços    ****

Vivi

 

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