A CRIANÇA A MÁQUINA E O ROSTO

Sabemos que é no convívio com outras pessoas, que aprendemos a reconhecer o rosto humano, as  expressões faciais, os tons das vozes, as expressões gestuais. Este aprendizado começa com o nascimento e vai sendo refinado durante uma vida inteira. Os encontros no meio familiar e comunitário, oferece os recursos para o aprendizado desta linguagem fundamental para a sobrevivência e para os relacionamentos pessoais futuros. Mas, a nossa realidade de convivência está mudando neste contemporâneo. Nossa crianças hoje estão crescendo mais conectadas com as máquinas do que com as pessoas, uma realidade completamente nova na história humana. Hoje, o chocalho de um bebê foi substituído por um celular. Os carrinhos dos bebês recebem equipamentos onde as imagens dos videos animam e distraem as crianças, enquanto os pais fazem outra coisa. Porém, isto já tem sido evidenciado como perturbador, pois o circuito social e emocional do cérebro de uma criança aprende através do contato, das conversas com todas as pessoas que ela encontra durante seu dia. As interações moldam o circuito cerebral. Uma criança hoje passa mais horas olhando fixamente para uma tela digitalizada, do que com as pessoas. Esta realidade tem sido apontada por pesquisadores como um prenúncio de déficits. Uma das grandes conquistas da evolução do ser humano foi a sua capacidade para reconhecer a face humana e suas diversas expressões, como o tom da voz, o gesto, o olhar. Aprendemos a reconhecer e a antever situações que favorecem a sobrevivência e facilitam nossos relacionamentos, nossas conexões com outras pessoas. Uma criança que passa horas diante das imagens digitalizadas perde a oportunidade deste aprendizado. Pergunta: como os netos dos nossos netos irão responder à esta realidade? Como o cérebro humano e toda uma circuitaria neuronal irá se organizar frente a esta realidade? Quais serão as consequências futuras nos processos cognitivos e relacionais?

Abraços    ****

Vivi

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