PASTORES E PASTAGENS

Considerando a chamada “visão econômica da mente”, há uma parábola citada por Francisco Varela que diz respeito às preocupações éticas.”A parábola descreve uma situação na qual alguns pastores pastoreiam seus rebanhos em uma pastagem coletiva. Cada pastor sabe que lhe é interessante aumentar o tamanho de seu rebanho pois, enquanto cada animal adicional lhe traz benefícios, o custo de sua alimentação e o dano causado à pastagem é dividido por todos os pastores. Como resultado, cada um dos pastores racionalmente aumenta o tamanho de seu rebanho até que as pastagens coletivas sejam destruídas, e, com elas, todos os rebanhos que nelas se alimentam. A preocupação do cientista social é como conseguir que um grupo de pastores com interesses individuais racionalmente coopere na manutenção das pastagens comuns esgotáveis.” Será que esta astuta metáfora tem algo haver com a nossa situação atual, onde o individualismo tem imperado, sempre querendo levar vantagem em favor de interesses particulares? Até quando o raciocínio frente ao lucro – conseguir o máximo ao menor custo – permanecerá na mente do “Homem econômico”? Qual é a motivação que nos tem impulsionado neste contemporâneo? Será que até o altruísmo será subjugado por uma postura de utilidade de ganho individual, do ponto de vista psicológico, ao se beneficiar uma outra pessoa ou grupos? As pessoas desatentas infelizmente não percebem o alcance destes raciocínios, geradores de atitudes egóicas, que violentam a integridade da pessoa humana. A passagem de uma cultura que tem privilegiado o individualismo para uma cultura que considera o outro e a relação, está na dependência de uma educação persistente, ética e amorosa.A passagem de um eixo verticalizante e controlador, para uma relação horizontal de co-dependência, vai depender de um esforço conjunto com atenção, presença e consciência.
Abraços ****
Vivi

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