UMA  VIDA  DESPERTA

Não me cabe a menor dúvida de que viver uma vida desperta é uma experiência gratificante. As ilusões românticas idealizadas, que acionam os desejos das paixões impulsivas, a imaginação que alimenta as tagarelices e as divagações da mente ansiosa, criando cenários que se transvestem de falsas realidades, são todos elementos que se apropriam do estado de presença mental. São os usurpadores da consciência e da capacidade perceptiva humana. Reconhecer a toxidade destes processos mentais alimentados pela “ignorância” e pela “preguiça”, que se recusam a um pensar honesto e vigilante, são os grandes obstáculos da maturidade para uma vida desperta, ou seja, para um viver consciente de si, de seu entorno e do mundo. Ocorre que, quanto mais uma pessoa se abandona às suas próprias ilusões e às “realidades imaginadas” ou falsas realidades, mais distante de um estado de plenitude ela fica. Uma vida aprisionada em padrões mentais corrosivos, é uma vida de sofrimento e infelicidade. Estar consciente de si e de seus estados mentais e, com boa vontade, escolher e se exercitar para estar atento, desperto e com clareza mental, é querer se aproximar da felicidade e da auto realização. Viver uma vida desperta além de ser uma experiência altamente gratificante, é também uma experiência que dignifica a si mesmo e a própria vida.

 

Abraços   ****

Vivi

 

 

 

 

 

O  DESAFIO  DA  COMUNIDADE

Embora que todos os humanos cheguem ao mundo vivo em comunidades vivas, ainda humanos não sabemos conviver em comunidade. A cada dia o desafio de viver em comunidade se revela com mais intensidade. A democracia para acontecer necessita de pessoas que saibam de forma consciente e livremente, o valor da comunidade , afinal a vida e o viver, necessitam do estar-junto, do fazer-junto, do compartilhar. A comunidade pressupõe responsabilidades, assim como a democracia em todos as suas instâncias. O contemporâneo em profundas transformações, evidencia a urgência de um saber: o saber viver em comunidade, o saber, o entender, o compreender o significado e o valor da comunidade para a sustentação da vida, do meio ambiente, da natureza e das futuras gerações. Estar em comunidade exige co-responsabilização, comprometimento, solidariedade, boa vontade. Exige um querer conviver com a diversidade, sendo esta, a diversidade, a marca fundamental e magnífica da vida.

Abraços   ****

Vivi

DESEJO  OU  NECESSIDADE

Não é incomum confundirmos desejo com necessidade. Desejar é imaginar, está no âmbito da não concretude. Necessidade está no âmbito biológico, de sobrevivência. Fato é que, desejos e necessidades estão de tal forma “grudados” um ao outro, que nem sempre conseguimos perceber e distinguir o que é desejo do que é necessidade. Distinguir o que é imaginação do que é sobrevivência. Contudo, há quem diga: preciso comprar aquele acessório senão vou “morrer”! Cabe a observação: isto é apenas uma forma de expressão! Não. Se considerarmos que as palavras tem força, de tanto repetir passamos a acreditar que para viver – e não sobreviver – é necessário ter determinado objeto pois, só “ele”, objeto “me fará feliz”. Cuidado!!! Atenção!!! A imaginação não é a realidade.

Abraços   ****

Vivi

 

 

DESEJOS  MOLDADOS

Você sabia que grande parte dos nossos desejos são “moldados” desde que nascemos? Embora que, saibamos da existência dos mitos, nem sempre consideramos que os mitos se fazem presente em nosso pensar e em nosso fazer. Os mitos, as “verdades” psicológicas, estão tão impregnados em nosso agir cotidiano que nem percebemos da força de sua ação. Um olhar mais atencioso, poderia reconhecer como somos levados a acreditar na ideia de que, se consumirmos mais seremos mais felizes. Os desejos de consumo são moldados pelo mito do consumismo. Romanticamente “acreditamos” que consumir por exemplo, passar férias no exterior nos fará mais felizes! Talvez fosse interessante e salutar refletir sobre a origem dos nossos desejos. Será realmente que necessitamos consumir e consumir para sermos felizes?

Abraços   ****

Vivi

 

PUNIÇÃO – O QUE DEGRADA?

Nietzsche afirma – “ Desconfie totalmente daquele cujo impulso punitivo é muito forte.” O ato de punir de alguma forma, degrada aquele que pune. Culturalmente, a punição se integra ao contexto normativo da manutenção da ordem sob o viés do exercício de um poder “sobre” o outro.  É um poder desprovido do diálogo, da responsabilização, do respeito, da compreensão dos contextos e da complexidade das relações humanas. Punir pressupõe uma culpa e toda culpa, necessita ser punida, uma lógica fundamentada na força do poder controlador, dominante, vertical e autocrático. O mal feito para ser reparado necessita da compreensão, necessita de uma consciência que dialoga consigo, com o outro, com o meio para entender, aprender e transformar. A punição retira a compreensão, transformando o humano, tanto o que puni como o punido, em objeto a serviço de um poder controlador. A punição nasce e se desencadeia na consciência e no corpo daquele que puni. A dor que se quer infligir ao outro para subjugá-lo, começa no coração daquele que puni ou daquele que determina a punição. Portanto, desconfie sempre daquele que prega a punição como o único recurso de um “justiçamento”. Fundamental é distinguir punição de responsabilização. A punição não transforma apenas cria mais sofrimento. A responsabilização que nasce do diálogo que compreende o mal feito, é um caminho para a transformação.

Abraços   ****

Vivi

JUSTIÇA RESTAURATIVA – O QUE VEM A SER …?

Nas palavras do juiz Dr. Egberto Penido, a Justiça Restaurativa “constitui-se como um conjunto ordenado e sistêmico de princípios, métodos, técnicas e atividades próprias, que visa à conscientização sobre os fatores relacionais, institucionais e sociais motivadores de conflitos e violência, de forma a envolver a corresponsabilidade individual e coletiva, para fins de se entender as causas estruturais do conflito e as necessidades daí advindas, possibilitar a reparação dos danos – a partir da responsabilização ativa dos responsáveis e correspondentes – e, ainda, recompor as relações interpessoais e sociais esgarçadas.”

Abraços   ****

Vivi

 

ORDENAR O DISCURSO INTERIOR

Muitas são as vozes internas. Vozes que seduzem, vozes que se repetem incansavelmente, vozes que mascaram, vozes tolerantes e procrastinadoras, vozes intolerantes e retaliadoras, vozes ressentidas, vozes egoístas e convenientes. São todas vozes que se mesclam conforme o interesse e a conveniência de um ego aprisionado nas ilusões, sendo fonte permanente de confusão e cansaço mental. Colocar atenção a este cenário agitado, já evidencia um caminho para a transformação. Ordenar os pensamentos e  o discurso interior através de um diálogo honesto internamente, permite acionar a vontade para reconhecer o sofrimento causado e as possibilidades de mudança. As tradições espirituais apontaram os “exercícios espirituais” como uma ferramenta pedagógica com poder terapêutico. Distinguir o que depende de “mim” e o que não depende “mim” frente às circunstâncias e acontecimentos, assumir a “minha” responsabilidade diante das escolhas que faço e suas consequências, são fatores fundamentais na direção de uma ordenação das vozes internas. A escrita, a leitura, as reflexões, o exame aprofundado e silencioso, podem colaborar para a clareza interior e a coerência dos pensamentos. O sofrimento é causado pelo aprisionamento em um ego que distorce a realidade, interfere na vida interior como na vida exterior, além de impedir o contato com todo o potencial pessoal dos talentos e das virtudes. Com disciplina e boa vontade, com alegria e determinação, disponibilizar-se para ordenar o discurso interior pode abrir um “campo na direção espiritual”, tornando a vida interior e exterior muito mais frutífera e saudável, consigo mesmo e com o mundo.

Abraços   ****

Vivi

O QUE VALE MAIS ?

Quando uma pessoa se coloca diante dos propósitos da vida cabe a pergunta: o que vale mais em sua vida, viver escravo de suas paixões, seus desejos, ilusões e desmedidas ou servir-se do bom senso, da ponderação, do pensar e refletir? Uma pergunta que poderia acompanhar a pessoa no momento em que se levanta da cama, para examinar suas escolhas do dia que se inicia, repetindo ao se deitar. Uma pergunta que encontra lugar da aurora ao anoitecer, de maneira que a pessoa possa identificar o ingrato, o impulsivo, o descuidado,o perverso, o egoísta, o falso, que de tempos em tempos assombra os pensamentos, as emoções e as atitudes. Os vícios do egoísmo, da vaidade, da arrogância, causados pela ignorância impedem o reconhecimento dos verdadeiros bens e dos verdadeiros males. Guiar-se no viver cotidiano por pensamentos, sentimentos e ações com cuidado atencioso, com clareza de propósito na vida pessoal e relacional, é um exercício permanente para não ser pego de surpresa ao se defrontar com o inesperado e o dramático. Independente da vontade pessoal, as circunstâncias e dificuldades do viver são causadoras de sofrimento e fazem parte da condição natural da vida. A clareza de propósito através de uma consciência reflexiva, pode  contribuir para o discernimento e o reconhecimento da escravidão das paixões.

Abraços   ****

Vivi

FOMENTOS DA VIOLÊNCIA

A violência é sem dúvida um fenômeno complexo. A lógica do individualismo, do consumismo e da exclusão, estimulada pela competitividade e aniquilamento do outro através dos discursos de ódio e hostilidade bélica, mantém permanentemente estados de violência na ordem física e psíquica e na ordem estrutural e cultural. Sistemas sociais que estimulam o consumo, resumindo a identidade pessoal à riqueza acumulada e que, ao mesmo tempo privam a maior parte da população a ter acesso aos bens de serviço e recursos que deveriam estar disponíveis a todos os cidadãos, colocando grande parte da população à margem da sociedade, são fontes permanente de violência. O sentimento de não pertencimento social, fomenta os atos de violência e de transgressão. Trazer ao debate esta realidade, é função e dever das instituições públicas e das iniciativas privadas, com vistas à transformação deste cenário que acomete a sociedade por inteiro e a trajetória das futuras gerações.

Abraços   ****

Vivi

O  QUE  DEVEMOS  SER  AFINAL?

A regra de ouro presente em todas as tradições religiosas e culturais, sinaliza o caminho do “dever” humano e sua responsabilidade diante da vida e das relações com a vida. O cerne desta questão – “o que devemos ser afinal? –  equivale a saber o que queremos ser neste mundo e nesta existência. Se quero paz, é fundamental que eu seja uma pessoa pacífica, tolerante, compreensiva. Se quero respeito e responsabilidade, é fundamental que eu seja, no pensar, no sentir e no agir, uma pessoa respeitosa, responsável e confiável. Se quero honestidade, preciso ser honesto em todas as minhas atitudes. Ser honesto comigo, com o outro e com todos os outros e minha comunidade. Se entendo que o mundo precisa de mudanças, que os valores ainda não estão sendo respeitados e preservados em todas as instâncias de atuação do ser humano, então o único caminho que tenho é “ser a mudança que quero ver no mundo”. Tudo é uma questão de atitude, de compromisso auto deliberativo, de coerência entre o pensar, o sentir e o agir. Coerência entre o falar e o fazer. Aqui está inserido o ato ético.

Abraços  ****

Vivi