PUNIÇÃO – O QUE DEGRADA?

Nietzsche afirma – “ Desconfie totalmente daquele cujo impulso punitivo é muito forte.” O ato de punir de alguma forma, degrada aquele que pune. Culturalmente, a punição se integra ao contexto normativo da manutenção da ordem sob o viés do exercício de um poder “sobre” o outro.  É um poder desprovido do diálogo, da responsabilização, do respeito, da compreensão dos contextos e da complexidade das relações humanas. Punir pressupõe uma culpa e toda culpa, necessita ser punida, uma lógica fundamentada na força do poder controlador, dominante, vertical e autocrático. O mal feito para ser reparado necessita da compreensão, necessita de uma consciência que dialoga consigo, com o outro, com o meio para entender, aprender e transformar. A punição retira a compreensão, transformando o humano, tanto o que puni como o punido, em objeto a serviço de um poder controlador. A punição nasce e se desencadeia na consciência e no corpo daquele que puni. A dor que se quer infligir ao outro para subjugá-lo, começa no coração daquele que puni ou daquele que determina a punição. Portanto, desconfie sempre daquele que prega a punição como o único recurso de um “justiçamento”. Fundamental é distinguir punição de responsabilização. A punição não transforma apenas cria mais sofrimento. A responsabilização que nasce do diálogo que compreende o mal feito, é um caminho para a transformação.

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Vivi

JUSTIÇA RESTAURATIVA – O QUE VEM A SER …?

Nas palavras do juiz Dr. Egberto Penido, a Justiça Restaurativa “constitui-se como um conjunto ordenado e sistêmico de princípios, métodos, técnicas e atividades próprias, que visa à conscientização sobre os fatores relacionais, institucionais e sociais motivadores de conflitos e violência, de forma a envolver a corresponsabilidade individual e coletiva, para fins de se entender as causas estruturais do conflito e as necessidades daí advindas, possibilitar a reparação dos danos – a partir da responsabilização ativa dos responsáveis e correspondentes – e, ainda, recompor as relações interpessoais e sociais esgarçadas.”

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Vivi

 

ORDENAR O DISCURSO INTERIOR

Muitas são as vozes internas. Vozes que seduzem, vozes que se repetem incansavelmente, vozes que mascaram, vozes tolerantes e procrastinadoras, vozes intolerantes e retaliadoras, vozes ressentidas, vozes egoístas e convenientes. São todas vozes que se mesclam conforme o interesse e a conveniência de um ego aprisionado nas ilusões, sendo fonte permanente de confusão e cansaço mental. Colocar atenção a este cenário agitado, já evidencia um caminho para a transformação. Ordenar os pensamentos e  o discurso interior através de um diálogo honesto internamente, permite acionar a vontade para reconhecer o sofrimento causado e as possibilidades de mudança. As tradições espirituais apontaram os “exercícios espirituais” como uma ferramenta pedagógica com poder terapêutico. Distinguir o que depende de “mim” e o que não depende “mim” frente às circunstâncias e acontecimentos, assumir a “minha” responsabilidade diante das escolhas que faço e suas consequências, são fatores fundamentais na direção de uma ordenação das vozes internas. A escrita, a leitura, as reflexões, o exame aprofundado e silencioso, podem colaborar para a clareza interior e a coerência dos pensamentos. O sofrimento é causado pelo aprisionamento em um ego que distorce a realidade, interfere na vida interior como na vida exterior, além de impedir o contato com todo o potencial pessoal dos talentos e das virtudes. Com disciplina e boa vontade, com alegria e determinação, disponibilizar-se para ordenar o discurso interior pode abrir um “campo na direção espiritual”, tornando a vida interior e exterior muito mais frutífera e saudável, consigo mesmo e com o mundo.

Abraços   ****

Vivi

O QUE VALE MAIS ?

Quando uma pessoa se coloca diante dos propósitos da vida cabe a pergunta: o que vale mais em sua vida, viver escravo de suas paixões, seus desejos, ilusões e desmedidas ou servir-se do bom senso, da ponderação, do pensar e refletir? Uma pergunta que poderia acompanhar a pessoa no momento em que se levanta da cama, para examinar suas escolhas do dia que se inicia, repetindo ao se deitar. Uma pergunta que encontra lugar da aurora ao anoitecer, de maneira que a pessoa possa identificar o ingrato, o impulsivo, o descuidado,o perverso, o egoísta, o falso, que de tempos em tempos assombra os pensamentos, as emoções e as atitudes. Os vícios do egoísmo, da vaidade, da arrogância, causados pela ignorância impedem o reconhecimento dos verdadeiros bens e dos verdadeiros males. Guiar-se no viver cotidiano por pensamentos, sentimentos e ações com cuidado atencioso, com clareza de propósito na vida pessoal e relacional, é um exercício permanente para não ser pego de surpresa ao se defrontar com o inesperado e o dramático. Independente da vontade pessoal, as circunstâncias e dificuldades do viver são causadoras de sofrimento e fazem parte da condição natural da vida. A clareza de propósito através de uma consciência reflexiva, pode  contribuir para o discernimento e o reconhecimento da escravidão das paixões.

Abraços   ****

Vivi

FOMENTOS DA VIOLÊNCIA

A violência é sem dúvida um fenômeno complexo. A lógica do individualismo, do consumismo e da exclusão, estimulada pela competitividade e aniquilamento do outro através dos discursos de ódio e hostilidade bélica, mantém permanentemente estados de violência na ordem física e psíquica e na ordem estrutural e cultural. Sistemas sociais que estimulam o consumo, resumindo a identidade pessoal à riqueza acumulada e que, ao mesmo tempo privam a maior parte da população a ter acesso aos bens de serviço e recursos que deveriam estar disponíveis a todos os cidadãos, colocando grande parte da população à margem da sociedade, são fontes permanente de violência. O sentimento de não pertencimento social, fomenta os atos de violência e de transgressão. Trazer ao debate esta realidade, é função e dever das instituições públicas e das iniciativas privadas, com vistas à transformação deste cenário que acomete a sociedade por inteiro e a trajetória das futuras gerações.

Abraços   ****

Vivi

O  QUE  DEVEMOS  SER  AFINAL?

A regra de ouro presente em todas as tradições religiosas e culturais, sinaliza o caminho do “dever” humano e sua responsabilidade diante da vida e das relações com a vida. O cerne desta questão – “o que devemos ser afinal? –  equivale a saber o que queremos ser neste mundo e nesta existência. Se quero paz, é fundamental que eu seja uma pessoa pacífica, tolerante, compreensiva. Se quero respeito e responsabilidade, é fundamental que eu seja, no pensar, no sentir e no agir, uma pessoa respeitosa, responsável e confiável. Se quero honestidade, preciso ser honesto em todas as minhas atitudes. Ser honesto comigo, com o outro e com todos os outros e minha comunidade. Se entendo que o mundo precisa de mudanças, que os valores ainda não estão sendo respeitados e preservados em todas as instâncias de atuação do ser humano, então o único caminho que tenho é “ser a mudança que quero ver no mundo”. Tudo é uma questão de atitude, de compromisso auto deliberativo, de coerência entre o pensar, o sentir e o agir. Coerência entre o falar e o fazer. Aqui está inserido o ato ético.

Abraços  ****

Vivi

DO  EXTERNO  PARA  O  INTERNO

Mudar o foco é preciso. Quanto mais o humano se volta para fora de si, mais distante de si ele fica e portanto, menos se reconhece. Se quisermos como pessoas humanas, maior aproximação consigo mesmo e maior consciência de si mesmo, talvez fosse interessante sairmos das aparências para nos aproximarmos da nossa essência. Deixar um pouco as forma externas e visíveis, para nos aproximarmos dos valores invisíveis que alicerçam a estrutura de nosso ser mais íntimo. Conhecer a nós mesmos, estabelecendo conexões com o nosso ser interior pode trazer belíssimas revelações da nossa pessoa humana. O distanciamento de si impede acionar os filtros que permitem escolhas mais conscientes. É no interior e no mais íntimo de nosso ser que podemos encontrar quem somos e ainda, encontrar a nossa verdadeira autoridade e orientação pessoal. Descobrir o nosso potencial, é também se conectar com a nossa liberdade.

Abraços   ****

Vivi

NINGUÉM SE CONSTRÓI SOZINHO

A ideia do isolacionismo ou individualismo, pode ser considerada um grande equívoco ou uma ideia utilitária, conveniente e necessária para sustentar as forças de um poder dominante.  A vida só se faz e acontece junto. Todos os processos vitais são inter-conectivos e interdependentes. A construção de um “Self”, de um “Eu”, de um “indivíduo”, se faz junto com os outros indivíduos num campo de compartilhamento de experiências e troca de conhecimentos e habilidades. Juntos aprendemos, criamos, evoluímos, crescemos e nos desenvolvemos em processos interativos de co-dependência. Cada ser humano é único e ao mesmo tempo múltiplo, é dependente e independente e neste ciclo permanente de trocas e reciprocidades, a vida prossegue no seu macro projeto de continuidade do vivo. Portanto, a base de sustentação de todos estes processos está estruturada e mantida pelo compromisso com o valor do respeito, da co-responsabilidade, da honestidade, do coexistir, do cuidado em comunidade.

Abraços   ****

Vivi

O QUE NOS RESTA ….

Talvez o que nos resta e aqui se encontra a liberdade do espírito humano, é acreditar na esperança que existe do outro lado da vingança. Acreditar que um outro lado pode ser alcançado, acreditar que a cura existe, mesmo escondida em seus disfarces, em algum momento ela pode emergir e transformar. Entre o ódio e o perdão, há um espaço de escolha que a consciência pode acessar. Este é o espaço da liberdade. Negar a si mesmo o espaço da esperança, é negar a sua própria liberdade. É negar um universo de possibilidades. A esperança é aquela instância da consciência plena que se esforça para ser íntegra no pensar, no sentir e no agir e jamais se abster  de sua humanidade em processo permanente de humanização.

Abraços   ****

Vivi

 

CONFIANÇA, DESCONFIANÇA E APATIA

Sem confiança desconfiamos. Nada desconfiança de tudo a desesperança penetra com grande rapidez a apatia não é novidade. Apatia nas ideias e na política. Pela incapacidade de compreender a imensa complexidade das questões apresentadas no cotidiano das relações públicas e privadas, nas relações do pessoal e do social, o que resta é a apatia depois da desconfiança do outro, do mundo e de si mesmo. Restabelecer a confiança  frente às incertezas tem sido o desfio permanente em tempos de grandes mutantes. A complexidade das situações pessoais e sociais em que nos encontramos, exige um pensar complexo para um agir sistêmico. Pensar a complexidade é estar aberto ao aleatório, ao criativo, ao novo, sem perder o valor dos valores nem o sabor dos saberes. É ter clareza da dinâmica permanente, de que os processos são orgânicos e que os organismo vivos se modificam, se interconectam, se interdependem. Confiar é estar seguro por um eixo ético interno e ao mesmo tempo, é estar disposto a suportar a realidade e as “verdades provisórias”.

Abraços   ****

Vivi