UM OLHAR DE INGENUIDADE

Saber ver e ouvir sem julgar, interpretar mas apenas, sentir tendo a experiência do sensível em si, é uma escolha, um aprendizado, uma tomada de decisão. Olhar a si e ao mundo com ingenuidade, se percebendo na experiência do encontro interior consigo mesmo e com o mundo, compreende uma maneira de ser e estar neste mundo. Uma consciência que olha a si mesma, o seu entorno e o mundo apenas se percebendo em suas sensações, suas emoções e seus pensamentos com a sabedoria do não julgar, desfruta de uma maneira de ver o mundo e com ele se relacionar. Grande parte das insatisfações, ansiedades, frustrações, descréditos, tem haver com a incapacidade de olhar ingenuamente, ou seja, de olhar sem julgar. Os preconceitos estão carregados de julgamentos e estigmatizações, sendo grandes obstáculos nas relações de convivência pois, ao invés de aproximar eles contribuem diretamente para afastar e ainda, construir as barreiras internas e externas nas relações de convivência. Um olhar de ingenuidade não significa idealizações mas, antes e sobretudo, ter a sabedoria para ver a realidade tal como ela se apresenta sem construir narrativas fantasiosas que enganam e deturpam o real. Um olhar ingênuo, é um exercício vivido na prática daquela criatura que se faz presente em sua existência, que optou por se realizar como ser humano dando forma a seu destino. A experiência do olhar ingênuo, é uma verdadeira descoberta interior e pode ser tremendamente enriquecedora e libertadora.

Abraços   ****

Vivi

SOLUÇÕES SIMPLES PARA PROBLEMAS COMPLEXOS

Em tempos de grandes passagens mutacionais, o interregno se apresenta como um período histórico de contradições, decadências, irracionalidades, alienações, vulnerabilidades, angústias entre segurança e liberdade. Período em que surgem figuras carismáticas proclamando promessas, em meio a grandes apelos emocionais e com eles medos e trivialidades, “como se fosse possível haver soluções simples para problemas complexos”. Ilusões criadas para manter estados desprovidos do pensar e do agir, desprovidos de um olhar ampliado que possa ver e captar a dimensão da complexidade da chamada “crise” social, política, financeira, institucional, relacional. O esvaziamento da vontade e com ela o esgotamento da esperança, confunde e distorce, leva ao descrédito alienante. Querer soluções simples para problemas altamente complexos do interregno, apenas alimenta a permanência das relações incertas, insatisfatórias e superficiais. Trazer a esperança, é depositar esforço para pensar e agir muito além das fronteiras locais e imediatas, para se lançar na dinâmica das interconexões históricas do local e do global, do menor e do maior, do indivíduo e do coletivo, do privado e do institucional, do material e do imaterial, de forma conjunta e em permanente transformação criativa, em sinergia com  os acontecimentos. Questões complexas, exigem um pensar complexo. Há um tempo em que algo deixou de ser e algo ainda não é.

Abraços   ****

Vivi

UM LUGAR PERIGOSO !

Pessoas insatisfeitas e irresponsáveis, que não sabem o querem de sua vida, são tremendamente perigosas. Desorientadas, buscam apenas sua satisfação pessoal mas, nunca se satisfazem. Na busca egóica por satisfação e prazer, não medem as consequências de seus atos. A insatisfação contínua alimenta estados mentais tóxicos, corroem as relações e os ambientes. Estar atento para perceber os lugares relacionais perigosos é fundamental, como também evitar julgar ou responder na mesma moeda. Lembrando que, em uma sociedade que estimula o prazer e o consumo, a insatisfação é um sentimento que pode rondar e contaminar nossas mentes e corações. Portanto, ter consciência dos perigos da insatisfação, reconhecendo-a quando ela se manifesta pode contribuir para favorecer relações afetuosas e mais confiáveis. O perigo pode estar mais próximo que imaginamos! Um pequeno descuido é suficiente para o ego possessivo, iludido pelo prazer imediato, construir narrativas para justificar inclusive a indiferença. Responsabilidade e respeito, são valores protetivos que se manifestam em atitudes e condutas no viver cotidiano.

Abraços   ****

Vivi

O MELHOR PARA UM SER HUMANO

O que poderia ser considerado o melhor para um Ser Humano? O melhor e o maior para uma pessoa humana? O mais adequado para uma criatura humana em sua existência? Muito além dos discursos e pregações, das normas e dos aconselhamentos, o melhor para um Ser Humano seria “aprender a viver uma vida humana”, na afirmação do filósofo Pierre Hadot. É possível encontrar na filosofia como na psicologia muitas respostas ou sugestões, contudo, poder escolher viver uma vida digna, escolher uma maneira de viver com dignidade em cada instante de um viver, seria poder exercer a liberdade de uma consciência. Aprender a sustentar uma mente com atenção e uma consciência presente de si mesma, através de uma conduta interior alicerçada na consciência das emoções e dos pensamentos, seria sem dúvida alguma, o maior legado de uma educação voltada ao “ensino” do que possa ser uma vida humana com dignidade. Ter a coragem de viver através de um eixo ético, de viver uma vida humana humanizada, que respeita a si mesma e portanto, pode respeitar e considerar o outro, os outros, o espaço, o tempo e as relações. Ensinar a pessoa humana a viver a dignidade da vida humana, não como um ideal de sabedoria mas, como uma escolha consciente, talvez seja a grande missão da educação em todas as suas dimensões e amplitude.

Abraços   ****

Vivi

RECONCILIAR É PRECISO

Conciliar nossos afetos e nossas diferenças, tem sido fundamental para construirmos juntos uma sociedade mais justa, mais amigável, mais cordial, mais cooperativa, onde o respeito possa ser o eixo condutor de nossas relações. Pessoas são diferentes. Tudo que vive possui o dom e o mistério de ser único nesta vida. Cada pessoa humana é portadora de sua expressão, de seus talentos, de um potencial a ser expandido quando as oportunidade são favorecidas para o bem comum, a serviço da proteção, da preservação e do florescimento da vida. As diferenças marcam a diversidade e esta, oferece as possibilidades com toda a variedade da expressão da vida. Quando as diferenças são compreendidas através de um olhar conciliatório o criativo emerge, a sabedoria floresce e a vida se renova. Dar voz e oferecer espaços que legitimem a pessoa humana em seus direitos e dignidade, reconciliando as divergências e aproximando as diferenças fazendo nascer o novo, através do diálogo, da escuta ativa, da boa vontade, pode contribuir decisivamente para o crescimento de uma sociedade mais saudável. O ódio estimulado pelas mídias que se colocam contrárias à vida, tem trazido insatisfação, ansiedade, pessimismo e não vontade de viver, como tem sido os casos de suicídios físicos e morais. Reconciliar é preciso. Acreditar na capacidade regeneradora da vida, é reconhecer a vida como o valor maior. O tempo de vida humana numa existência é curto demais para o desperdício. Restaurar uma sociedade, é se disponibilizar a ter a experiência de cura, é ter a experiência da força do potencial conciliatório da vida.

Abraços   ****

Vivi

PENSAR NO OUTRO DIMINUI OS SENTIMENTOS DE POSSE

Quanto mais uma pessoa se mantém auto referendada, apegada aos seus prazeres pessoais egóicos, mais amplia as sensações corrosivas do “eu” e do “meu”. Ter consciência das relações de apego e do quanto elas interferem nos pensamentos e nas emoções, causando divagação mental, distração, agitação e ansiedade, tem sido apontado pelos neurocientistas e pesquisadores como um elemento fundamental para a sustentação da atenção na vida diária. Acalmar a “mente de macaco” sempre agitada e dispersa, de forma voluntária e intencional, contribui diretamente para alterar estados internos egoístas do “eu” e do “meu”. Atitudes pegajosas e egoístas interferem na capacidade humana de ser alegre e cordial. Estados mentais de alegria, de cordialidade, de felicidade, podem ser cultivados através de práticas mentais focadas. É possível educar a mente, para ser mais cordial consigo e com as pessoas com as quais se relaciona. Alimentar estados internos de pensamentos dirigidos ao bem-estar alheio e menos auto referendado, contribui diretamente para a saúde pessoal e para a saúde relacional. O apego a um “eu” egoísta e viciante gera posse, controle, desconsideração, desrespeito, sendo altamente invasivo. São estados onde a felicidade não encontra espaço para ser manifestar. A atitude de estar aberto e receptivo ao bem-estar alheio, favorece as conexões de módulos neurais que se combinam para criar a percepção do eu. Menos egoísmo mais felicidade!

Abraços   ****

Vivi

NUNCA DEIXE O SEU CORAÇÃO EM CASA …

Muitos são os caminhos a serem percorridos ao longo de uma existência, assim como muitas são as fases pelas quais uma pessoa passa ao longo de sua existência. As dúvidas e as certezas, as conquistas e as perdas, compõem a trajetória de uma vida. Reconhecer os diversos caminhos contidos nas diversas fases, estando consciente das relações existentes nos acontecimentos do viver, é estar disponível para aprender o sentido da vida e do viver. A grande liberdade está numa consciência que se liberta do medo e da posse, e se permite pulsar através da compreensão atenta ao ritmo da vida. A consciência plena, caminha de mãos dadas com o discernimento da mente e com o afeto sensível do coração. Respirar e pulsar no livre fluxo do ritmo de uma mente que preserva a sua atenção, entrelaçada com a sensibilidade de um coração que se emociona e é capaz de tocar a sua interioridade, é caminhar pela vida consciente de que todo caminho tem suas razões e seus sentidos, que só um coração generoso e bondoso pode perceber e se guiar. Portanto, nunca deixe seu coração em casa ao sair pela vida.

Abraços   ****

Vivi

EU – MEU – MIM

Uma mente aprisionada em ruminações, tende a carregar continuamente pensamentos atrelados aos afazeres que nunca terminam e ainda, divagando em algo em torno dos “meus pensamentos, minhas emoções, meus relacionamentos”, sempre centrados no eu, no meu e no mim. Repetindo cenas preferidas ou perturbadoras, a mente divaga para algo que diga respeito ao eu, tornando este eu o centro das atenções. Quase sempre distraída, esta mente tem dificuldade de se aquietar. Ausente do presente, as divagações mentais se prendem nas angústias e preocupações do cotidiano, intensificando um estado mental aprisionado por um “eu” ruminante e ilusório. Um estado mental desatento, além de ser cansativo é fonte de confusões e sofrimentos. Aliviar o sistema que constrói sensações de eu, de meu e de mim, é fundamental para a liberdade interior. Libertar o peso do “eu” contido nas divagações mentais, é um dos propósitos das práticas contemplativas. Quanto mais uma pessoa se agarra a um “eu, meu ou mim”, mais estará presa num mundo de sofrimentos. A grande arte de viver bem, é libertar a mente da infelicidade gerada pelas divagações mentais centradas num eu, meu e mim. A liberdade interior, é a capacidade de poder escolher de forma consciente um estado mental atento ao presente, voltado a um foco e livre das torrentes mentais possessivas.

Abraços   ****

Vivi

ATENÇÃO PLENA CORPORIFICADA

De alguma forma as pessoas já reconhecem a importância da atenção na vida cotidiana. Não apenas diante dos desafios, das provas da própria vida, mas, estar atento é fundamental. Ao caminhar pelas calçadas, nos relacionamentos, nas escolhas que fazemos, nas palavras proferidas, quando a atenção está presente ela faz toda a diferença afinal, cair nos automatismos repetitivos dos condicionamentos, é fácil e rápido, sendo uma boa desculpa para não assumirmos responsabilidades. Sustentar um estado de atenção plena não é tão simples como parece mas, é este estado que pode oferecer o caminho da liberdade. Quando a mente tem consciência de si e adquiri as condições internas para manter um estado de atenção plena, corporificada e muscularizada, ela pode fazer suas escolhas pautadas na realidade e não dirigida pela cultura, pelos traumas, pelos apegos e desejos, pelas necessidades criadas através da ansiedade, dos medos, das frustrações ou vaidades. Cultivar um estado de atenção plena e de um coração pleno, um estado de sábia consciência que se perceba se percebendo com amorosidade e sem julgamento, é fruto de uma consciência que se determina ser livre através de um corpo vivo e portanto,  potente e inteligente. Corporificar uma atenção plena é cultivar momento a momento um estado de presença que se faz no presente de cada instante vivido.

Abraços   ****

Vivi