PENSAR O REENCANTAR

Alguns pensadores tem apontado que a pós-modernidade tem sido marcada por cenários que se apresentam desprovidos de “solução”. Frente a tantas incertezas, tantas mudanças, tantos desafios, é necessário saber como lidar com “o que está em jogo”, saber reconhecer as cenas e as possibilidades. Mesmo diante do “trágico” e do “sem solução”,  é necessário saber olhar para não se perder em configurações que roubam a esperança, geram frustrações, e desencantam. A paralisa como a agitação são expressões do caótico. Pensar e compreender, reconhecer e entender, abrir espaços internos para olhar a si mesmo e, ao mesmo tempo, para olhar as brechas de possibilidades contidas no externo, tem sido mais que fundamental, tem sido da máxima urgência. Quando se perde o encanto se perde a beleza e com ela, se perde a vida. Abandona-se! Em tempos caóticos, trágicos e sem solução, é necessário ter bom senso para pensar e pensar bem e, jamais perder a ternura do encantar. Pensar o reencantar, para se encantar e se reenencantar com a vida, é o alimento natural para o encontro com as possibilidades do criativo.

Abraços   ****

Vivi

APENAS … PENSAMENTOS …

Um dos hábitos mentais causadores de agitação, ansiedade, desatenção, fadiga, são as incessantes ruminações mentais. Um padrão mental, que mantém pensamentos e mais pensamentos, que se encadeiam um após o outro, incessantemente. São formas mentais exaustivas e causadoras muitas vezes, de hiperexcitabilidade, impedindo a capacidade de manter um estado de presença e o foco atencional. As ruminações mentais obstruem o sentido e o significado do viver cotidiano, é uma mente que pensa e pensa dia e noite, alimentando um estado mental imaginativo que resulta na criação de  situações que nunca existiram e nunca existirão. Estar consciente destes padrões mentais, reconhecendo-os momento a momento é fundamental para a saúde do corpo e da mente. Identificar as agitações e as tensões musculares que acompanham a ansiedade, pode favorecer estados internos e externos de maior qualidade. Lembrando que, são apenas pensamentos e que pensamentos, são apenas pensamentos e não acontecimentos!

Abraços   ****

Vivi

QUE  SOCIEDADE  QUEREMOS  VIVER ?

Que tipo de sociedade queremos viver e conviver?  Esta pergunta tem sido da máxima urgência em tempos tão obtusos, paradoxais, desafiantes, onde quase que se perde por completo, as referências. Lembrando que vivemos e convivemos juntos, somos dependentes, independentes e interdependentes, ao mesmo tempo. Somos 100% biologia e 100% sociedade.  Não somos seres de isolamento, o que acontece a uma pessoa interfere em todas as outras na ecologia dos ambientes. Vivemos num organismo vivo, sistêmico e complexo. Todas as escolhas que fazemos interferem na vida deste organismo no qual vivemos e convivemos. “ A ganância é um defeito moral, um modo mau de ser, especialmente quando torna as pessoas indiferentes ao sofrimento alheio. Mais do que um defeito pessoal, ela se contrapõe  à virtude cívica.”  Michael Sandel

Abraços   ****

Vivi

 

O QUE IMPORTA É O DEPOIS …

Incontáveis são os caminhos e as propostas para mudanças diante dos desafios enfrentados por todos nós no cotidiano de nossas vidas. A convivência tem sido a cada dia mais difícil, seja no trânsito,nas filas, nos condomínios, nas famílias e ambientes de trabalho. Ao lado deste cenário, são incontáveis as propostas das modas e dos modismos. Desde a farmacologia, às vias das “alternativas” cada um a seu modo tentam oferecer um caminho. Fato é que, enquanto estamos sob o efeito de um medicamento ou sob o efeito de uma abordagem em grupos ou individualmente, parece que tudo fica mais fácil mas, e o depois… Depois que passa o efeito do medicamento e os efeitos das vivências é que saberemos se realmente houve mudança de comportamento e transformação de atitudes, ou não. Se diante de um episódio desafiante os padrões de respostas comportamentais são os mesmos, é sinal que a transformação de um padrão reativo ainda não ocorreu. Neste sentido, o que importa é o depois. São os momentos mais desafiantes do viver e do conviver que evidenciam se houve realmente uma transformação. Portanto, fique atento ao depois lembrando que, não há transformação numa receita de promessa  “instantânea”.

Abraços    ****

Vivi

DESATENÇÃO

A desatenção é um dos grandes obstáculos para uma vida saudável, isto para não dizer, o maior obstáculo. Quando não se reconhece, não se conhece. Quando não se percebe o que acontece, não há como transformar. Sem conhecer, sem perceber, sem saber o que acontece, não há razão para mudança então, fica-se na repetição, na automatização, ou seja , no piloto automático. É a atenção, um estado de presença atentiva, que permite o conhecer, o reconhecer para transformar e sair da repetição, ou, das atitudes repetitivas dos padrões mentais, dos padrões de comportamento, dos hábitos mentais. Quanto maior é a atenção,  maiores serão as possibilidades de autorregulação, de reconhecimento de si, de auto gestão de si mesmo, de maior adaptabilidade e criatividade. O potencial de realização pessoal depende da qualidade atentiva. A desatenção é uma porta aberta para doenças, desequilíbrios, desorganização e desorientação. Apenas lembrando: a atenção é algo que se treina e pode ser cultivada em qualquer fase da vida, da infância à velhice. Estar atento é estar saudável!

Abraços   ****

Vivi

A BRINCADEIRA …

Pensando bem, uma brincadeira só é interessante se for alegre para todas as pessoas. Quando uma brincadeira é “alegre” só para uma pessoa, ela não é uma brincadeira, ela é cinismo ou ironia. O cinismo e a ironia sempre vem acompanhados de maldade, de perversidade. O cinismo é um padrão mental utilizado para o enfrentamento do estresse. É um tipo mal-adaptativo para lidar com o estresse, causando  grandes sofrimentos para o cínico, como também para as pessoas que são vítimas de sua “chacota”. Os comportamentos cínicos e hostis em relação às pessoas, são totalmente insalubres e causam ainda mais estresse para as pessoas que fazem uso deste padrão mental, deste estilo de vida, tornando-os mais vulneráveis, comprometendo a saúde do corpo, da mente e das relações. Portanto, muita atenção às estas tentativas mal-adaptativas de lidar com o estresse. São formas adquiridas na infância para suportar as situações estressoras. Na incapacidade de responder ao estresse pela imaturidade, a criança pode fazer uso desta forma reativa para lidar com as pressões dos ambientes nos quais convive. Ter consciência deste padrão mental é de grande importância para os adultos em geral, para os pais e educadores, no sentido de evitar e prevenir as hostilidades nos relacionamentos e ainda, depositar mais qualidade e bem-estar à relações de convivência.

Abraços   ****

Vivi

HÁBITOS E ESTILO DE VIDA

O cultivo e o cuidado com os bons hábitos de vida, aqueles que favorecem a saúde integral e a realização da plenitude da pessoa, são benéficos para a vida pessoal, relacional e para os ambientes de convivência. Os mal hábitos de vida, aqueles que impedem a plenitude do potencial da vida humana em todas as expressões, quando repetidos e automatizados passando a ser um estilo de vida, são causadores de grandes disfuncionalidades. Maus hábitos alimentares, uso indiscriminado de substâncias químicas inclusive os fármacos, uso de álcool e drogas, falta total de atividade física ou excesso delas, ruminações depressivas, formas de manter-se ocupado permanentemente, e tantas outras maneiras de enfrentar o estresse das histórias pessoais e circunstanciais, quando se tornam um estilo de vida acoplado à negação permanente, são altamente insalubres para a vida de uma pessoa e para seus ambientes. Os mal hábitos quando se tornam um estilo de vida, são viciantes e criam dependência, comprometendo a saúde do corpo, da mente e das relações. Estar atento a estas formas de viver, é fundamental para quem almeja qualidade de vida e saúde,  restauração e cura.

Abraços   ****

Vivi

PADRÃO DE NEGAÇÃO

Para enfrentar o estresse, manter o equilíbrio e lidar com as pressões do cotidiano, cada pessoa, de acordo com os seus processos históricos pessoais, vai buscar as suas estratégias de enfrentamento. Atividade física saudável, alimentação saudável, oração, meditação, yoga, relações saudáveis com amigos confiáveis, são estratégias salutares  que permitem lidar com as situações estressoras de maneira equilibrada. Uma das estratégias para enfrentar o estresse é a negação da existência do problema. Esta é uma maneira mal adaptativa, que mantém respostas não salutares causadoras de mais estresse e sofrimento. A negação para si mesmo de um sofrimento, quando passa a ser um padrão repetitivo é fonte de mais sofrimento. Crianças abusadas moralmente, sexualmente e negligenciadas pela família e seus familiares, muitas vezes recorrem a esta forma de enfrentamento do estresse por medo ou pela incapacidade de lidar com as figuras que deveriam oferecer-lhe acolhimento, cuidado e proteção. Estas marcas ficam evidentes nos comportamentos pessoais que seguem pela vida adulta. Quando se nega a sua própria dor com narrativas que justificam a negação para si mesmo, a fonte estressora se mantém causando mais dor. Trabalhar em excesso, manter-se ocupado permanentemente, abuso das drogas lícitas e ilícitas, também, de alguma maneira, é negar a si mesmo. Portanto, ATENÇÃO!

Abraços   ****

Vivi

LIDAR COM PROBLEMAS …

Os desafios das situações problemáticas enfrentadas no cotidiano podem ser fontes permanentes de estresse, causando inúmeras complicações para o corpo e sua fisiologia, para a vida emocional e relacional. Agitações emocionais e padrões de pensamento recorrentes e automatizados “vividos” como um certo estilo de vida, acumulam tensões de todas as ordens, mantendo um estado crônico de hiperexcitabilidade. São estados que mantém a reação ao estresse de luta/fuga, com toda a cascata hormonal, comprometendo a capacidade natural de resiliência. Poderia haver alguma outra forma de lidar com os problemas do viver de maneira menos comprometedora e tóxica à fisiologia e à vida psíquica e seus relacionamentos? Segundo o pesquisador John Kabat-Zinn, ” a atenção é o elemento crucial para aprender a se libertar das reações de estresse nos momentos de ameaça…” A boa notícia é que, a capacidade de sustentar um estado de atenção e concentração podem ser treinados, pelo reconhecimento das alterações fisiológicas e emocionais, e de forma consciente poder escolher e atuar internamente evitando os padrões automatizados adquiridos. O treinamento da atenção e a prática atencional, são recursos que favorecem a saúde integral do organismo, favorece a manutenção de um estado de bem-estar com mais equilíbrio e mais alegria de viver.

Abraços   ****

Vivi

 

COMPAIXÃO – ATITUDE E PRÁTICA

Muitas são as vozes que proclamam com grande intensidade a importância da generosidade, da amorosidade, do perdão, da cordialidade, inclusive da empatia. Contudo, através de um olhar mais apurado facilmente o que se observa é que, há um grande hiato entre o falar e o fazer. Fala-se muito mas, faz-se muito pouco. Por falta absoluta de percepção, o discurso não condiz com a prática, mesmo porque nem sempre há clareza cognitiva do que seja a compaixão e ainda, não se relaciona atitude, ação, o agir com o pensar e o sentir. Compaixão não é sentir dó, nem é piedade. Aquela expressão tão usual: “lamento por você” …, “é lastimável…”, “coitadinho”… Lamentar-se não é suficiente diante de tantos sofrimentos pessoais e sociais. Conhecimento também não é suficiente diante de tantos absurdos vividos nas relações pessoais e nas relações de convivência. A compaixão só existe na prática, na atitude e na ação compassiva. Muito além de se colocar no lugar do outro, a compaixão tem uma ação concreta, nas pequenas atitudes, que podem reverter em grandes ações, afinal, a compaixão é contagiante, assim como os demais sentimentos. Todo ser humano tem o potencial para ser compassivo, tem em si mesmo a atitude altruísta mas, nem todos tem o agir. Ser compassivo é diferente de falar ou discursar sobre compaixão. Fazer uma belíssima preleção sobre compaixão é completamente diferente de ser uma pessoa compassiva. O que o mundo, o humano e todas as pessoas, a natureza e os ambientes precisam, é de pessoas que realmente sejam compassivas. Em tempos de “quaresma” para o mundo cristão, talvez vale a lembrança: seja compassivo consigo para ser compassivo com o outro, e com todos os outros. Em tempos de sofrimento pessoal e social vale lembrar: seja uma pessoa compassiva, no pensar, no sentir e no agir. A compaixão caminha de mãos dadas com a Sabedoria e a Generosidade.

Abraços   ****

Vivi