ESTABILIDADE EMOCIONAL

A ilusão de que tudo é permanente tem sido uma fonte de sofrimento. O estado de felicidade prescinde a compreensão da impermanência. A imortalidade é uma ilusão,  geradora de aflições mentais e desequilíbrio emocional. Uma consciência que aprendeu a compreender que o descontentamento como a insatisfatoriedade nos afastam da vontade de ser feliz, nos afastam de um estado genuíno de felicidade, tem em si a disponibilidade para cultivar um estado emocional mais equilibrado. Os sentimentos resultam de causas e condições para se manifestarem e estão em constante mudança. Acreditar na fixidez dos sentimentos é alimentar uma grande ilusão. A estabilidade emocional é fruto de uma consciência que reconhece a mutabilidade como natural e legítima do viver.  Cultivar as qualidades virtuosas como a bondade e a compreensão amorosa, favorece estados emocionais mais estáveis. A estabilidade emocional não significa a permanência emocional, isto é ilusório. A estabilidade emocional de uma consciência, reconhece que as aflições mentais dependem de causas e condições para se manifestarem e quando estes fatores são reconhecidos como impermanentes, é possível escolher nutrir os estados mentais mais satisfatórios. A felicidade genuína reconhece as ilusões e pela atenção plena, pode escolher deixar de nutrir a ignorância geradora de infelicidade. A natureza intrínseca do humano é uma consciência de contentamento e plenitude do ser, e a sabedoria é a realização desta natureza, que todas as pessoas buscam em suas vidas e que todas as tradições espirituais se referenciaram.

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Vivi

CORPO CAPITALIZADO

Quando se trata de corpos, estimular as aparências tem sido bastante rentável para empresas venderem qualquer um de seus produtos. Vender carros, cremes, biscoitos, viagens e tantas outras mercadorias, através de propagandas onde os corpos jovens, “sarados” e “aparentemente” felizes são “usados” para estimular desejos, tem sido uma receita de garantia de sucesso financeiro. Para obter resultados favoráveis na venda dos mais variados produtos, os corpos tem sido “capitalizados” pelo capitalismo. Um apelo garantido! Vende-se aparência, afinal, a preocupação com a aparência é algo que acompanha muitas pessoas. Crianças, adolescentes, jovens, jovens adultos e até os bem mais avançados na idade, depositam na aparência quase que a razão de sua existência. Tanto a preocupação com a aparência corporal como a insegurança em relação ao corpo, provocam a atenção das  pessoas afastando-as de si mesmas. O afastamento de si, desprovido de uma consciência da experiência corporal de si mesmo, são elementos facilitadores para a captura e uso dos corpos pela propaganda. Quanto mais as pessoas valorizam a sua aparência e quanto mais distantes e inseguras de seus corpos estiverem, maior é a probalidade de se entregarem ao capitalismo para serem usadas e abusadas. Estar consciente deste jogo que serve unicamente ao dinheiro é fundamental para uma vida saudável e equilibrada. A felicidade genuína não está nas aparências nem na insegurança somática, ela se encontra na consciência de si mesmo, na auto realização, na aceitação e valorização de si mesmo, na capacidade de valorizar e respeitar a manifestação da vida momento a momento.

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Abraços

JUSTIÇA – CURA E ABUNDÂNCIA

É inegável que a experiência de justiça seja uma necessidade humana básica. O senso de justiça é uma marca biológica. O crime, a ofensa, a violação do sentido da vida é um rompimento com a própria vida. O estado de equilíbrio, de balanceamento e homeostase, garantem as conexões biológicas e psíquicas do humano, sendo os nutrientes para  a sustentação saudável do organismo humano em convivência. A justiça como marca biopsíquica e como instituição social, pode ser a proteção e a cura para que a violência não seja recorrente. Como abundância, a justiça pode trazer à luz algo novo, criativo, através dos processos de mediação e diálogo. A justiça tem a capacidade de recriação de estados que violam a vida. Em seus aparatos biopsíquicos, a justiça tem a potência da inteligência e do discernimento para a transformação dos estados que violam a vida. Enquanto  instituição, a justiça tem os meios legítimos para a sustentação de relações equânimes. Contudo, tanto biopsiquicamente como institucionalmento, o humano necessita de uma consciência comprometida com a verdade, com a honestidade ao que “é”, ou seja, o compromisso determinado com os valores que sustentam o equilíbrio saudável da vida e de suas relações, em todas as instâncias do vivo.

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Vivi

O QUE HÁ DE BOM

Tudo depende do olhar com o qual vemos o mundo. A compreensão passa pelo filtro mental, pelo “como” vejo o que vejo, e este “como” interpreta o mundo. No livro – Os Caminhos de Mandela – Richard Stengel afirma que “Mandela vê o que há de bom nos outros porque está em sua natureza e em seu interesse.” Embora considerando os riscos emocionais, Mandela procurava ver o que havia de bom e honesto nas pessoas em sua vida diária. Dizia Mandela “É bom supor, agir com base no fato de que os outros são homens de integridade e honradez, porque você tende a atrair integridade e honradez, se é dessa forma que você julga aqueles com os quais trabalha. Acredito nisso.” Olhamos, interpretamos o mundo,  julgamos os acontecimentos e as pessoas com as quais nos relacionamos, a partir de uma certa forma, a partir de uma lente pessoal. Sabemos também, pela linguagem popular “Diga-me com quem andas e dir-te-ei quem és.” ou ainda, “quem semeia vento colhe tempestade.” A escolha é pessoal. Podemos escolher o que há de bom ou o que há de maldoso ou ainda, desagregador na existência. Cada um vê o mundo conforme as suas lentes mentais pois, é com elas que irá enxergar a si mesmo. Um olhar pessoal de si mesmo maldoso ou duvidoso e desconfiado, irá ver o mundo de forma maldosa, duvidosa e desconfiada. Aqui também é uma escolha pessoal mas, aqui também habita a liberdade e o poder da mudança.

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Vivi

A HUMANIDADE QUE SOMOS

Cada ser humano é uma humanidade em permanente processo construtivo. Cada pessoa humana faz parte deste contexto dinâmico, integrado e interconectado com a natureza e a vida. A humanidade é um organismo vivo de reciprocidades, que se estende no tempo com a história da vida.  O passado e o futuro histórico da humanidade, é um acontecimento no tempo e no espaço de um presente. Ter a consciência desta dimensão e desta dinâmica, é um convite ao ser humano para participar da sua construção pessoal em consonância com a construção de toda a humanidade. Uma consciência que confere ao humano a sua liberdade mas também, a sua responsabilidade como sujeito vivo e presente no processo de humanização da humanidade. Um olhar para o passado, permite ver o quanto o humano já evoluiu ao longo desta história comum. Por outro lado, um olhar para o futuro, confere à pessoa humana consciente de si neste processo, a sua  responsabilidade quanto às suas escolhas e ao mesmo tempo, um lugar que transcende a lógica racional frente à vida. A consciência da humanidade que somos, é o lugar do respeito com um organismo completamente interdependente e interconectado, onde todos os elos são igualmente fundamentais para a sua sustentação e preservação. Se pessoas não são descartáveis, a humanidade do humano também jamais poderá ser.

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Vivi

ROMPER COM A INDIFERENÇA

A ruptura com a indiferença, perpassa com o compromisso pessoal por uma abertura interior de preocupação com o outro. A história da violência na luta pela vida e sobrevivência; pela história de sangue e lágrimas das guerras travadas entre pessoas, nações e territórios de poder; pela dura solidez de um fechamento-sobre-si-mesmo em confinamentos de crenças que impedem a aproximação e o contato. São cicatrizes na alma humana que clamam pela cura. Sair da indiferença e desapegar-se de atitudes que impossibilitam um olhar para o outro através de uma escolha consciente, tem sido mais que uma urgência. Romper com a indiferença, é ter a coragem de ouvir o clamor de sua própria alma para esta-com-o-outro, que reconhece a fundamental importância da presença do outro em sua vida, afinal, é através do outro e com o outro que podemos ser quem somos. Com o outro podemos aprender, crescer, maturar. O acontecimento ético, é a possibilidade de estar um-para-o-outro, um com o outro. Esta é a aventura de viver o ser de proximidade, o próximo, aquele que me faz ser quem sou.

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Vivi

JUSTIÇA EM CENA

A justiça e o sentimento de justiça, o que é o justo e a justa medida, acompanham a  história do humano, no cotidiano vivido pelas pessoas em suas relações, e ainda, no mais íntimo de cada ser humano. No público como no privado, no indivíduo como no coletivo, a justiça está sempre em cena e ainda, acenando a necessidade de clareza do seu  sentido e significado. Princípios de justiça frente às instituições, no estabelecimento de instituições justas e ao mesmo tempo, justiça na relação com a vida que as pessoas levam, fundamentalmente conectada ao modo como as pessoas vivem, são questões que necessitam ser refletidas. Não é possível separar a relação existente entre o comportamento das pessoas em sociedade e suas relações com as instâncias institucionais. Na tentativa de compreender o que seria uma sociedade justa e como a justiça poderia ser promovida e vivida, é necessário considerar abordagens de maior amplitude e suas interconexões inseridas na factualidade, inclusive as questões referentes à equidade e à imparcialidade. Muitos são os desafios e os dilemas quando se trata de justiça, do ser justo numa sociedade justa. No que tange à justiça, é fundamental reconhecer as relações existentes entre a necessidade de adequação das organizações e o comportamento das pessoas, a vida que as pessoas são capazes de levar de acordo com suas necessidades que são diferentes. Aqui entram as questões da equidade na justiça e na política. Tanto a face formal e institucional da justiça, como a face mais íntima do sentimento pessoal de justiça, precisam encontrar uma linguagem que possa fazer da vida e do vivido um caminho onde o bem, o belo e o justo possam dialogar com respeito e equidade.

Abraços   ****

Vivi

LEMBRANDO NIETZSCHE

Em tempos de decadência, Nietzsche nos lembrava que era fácil perder “a capacidade espontânea de se auto regular coletiva e individualmente.”  Em tempos em que duvidamos das instituições que criamos, em que a política já não tem um peso no cotidiano de nossas vidas, pois, já não responde às nossas preocupações em relação ao futuro de nossos filhos, as figuras xamânicas e carismáticas fazem apelos emocionais que mais confundem e amedrontam, do que oferecem um caminho confiável. Estamos no interregno, como afirmava o sociólogo Zygmunt Bauman. Fato é que, não é possível haver soluções simples para problemas complexos. Em meio a tantos discursos díspares e relações de poder que jogam entre o representar e o dominar, parece que perdemos o fio de Ariadne, o fio que liga indivíduos a grupos. Contudo, a vida segue e precisamos seguir juntos encontrando os caminhos que viabilizam a coabitação humana. Precisamos da cooperação sem a qual corremos o risco de perdermos a esperança. Quando somos capazes de nos auto regular individualmente, poderemos ter a chance de nos regularmos em comunidades cooperativas. Não podemos perder de vista a imensa capacidade humana de generosidade. Comece onde está, procure ser generoso nas pequenas atitudes! Isto não é pouco nem pequeno, não é simples nem superficial.

Abraços   ****

Vivi

HABITAR A CONSCIÊNCIA

A desatenção, a agitação, a ansiedade, a distração, são estados mentais que impedem a consciência de estar presente em cada momento do presente. Ser consciente da presença momento a momento, é habitar a consciência, é ter a consciência dos ritmos e fluxos de pensamentos e sentimentos. Ter consciência do corpo, da mente, dos sentimentos, não significa julgar ou interpretar mas, apenas ser consciente de si. Habitar a consciência é fruto de treino. A atenção focada momento a momento pode ser treinada, assim como um atleta treina sua musculatura, sua coordenação, suas habilidades corporais. A consciência e os estados mentais, fazem parte do ser humano mas nem sempre se tem consciência da consciência de si mesmo e dos estados mentais, com seus fluxos de pensamentos e sentimentos. Habitar a consciência de si mesmo é se reconhecer e poder agir com qualidade, fazer escolhas e decidir. É poder se orientar em relação ao corpo, aos sentimentos e ao meio. A respiração tem sido considerada uma via fundamental para o treinamento de uma mente consciente de si mesma. Habitar a consciência é habitar-se com consciência.

Abraços   ****

Vivi

AUTOCOMPAIXÃO

“Dar a si próprio o mesmo cuidado, consolo e serenidade que de forma natural proporcionamos a nossos entes queridos quando estão sofrendo, quando fracassam ou quando se sentem inadequados.” Christopher Germer  Pensar em compaixão é também pensar em autocompaixão. A experiência compassiva tem sido apontada fundamental para favorecer a saúde física, mental, emocional e relacional, tanto individualmente como socialmente. O cultivo da compreensão de si e a disponibilidade de auto acolhimento favorece a empatia e a compaixão.

Abraços   ****

Vivi