LEITE COM ÁGUA

Quando uma relação se estabelece de maneira afetiva, respeitosa, bondosa, generosa e honesta, os vínculos favorecem a integração, interação e respeito. Seja uma relação entre duas ou mais pessoas, se os espaços de respeito são preservados e os propósitos se alinham em sintonia, a fluidez na comunicação e na presença ganha profundidade e maturidade. Quando a competição, a ganância, a prepotência, a ostentação prevalecem como “pano de fundo”, é como água e óleo que não se misturam; impossível a confiança. Em espaços relacionais cooperativos e respeitosos, sinceros e verdadeiros, o ambiente é tal qual água e leite, ingredientes que se misturam e se integram. Relações cordiais e gentis, conseguem enxergar com muito mais clareza e honestidade as discordâncias, que são absolutamente naturais afinal, cada ser humano traz em si mesmo as suas diferentes tonalidades. Quando alinhadas em propósitos de sabedoria, as diferenças se tornam enriquecedoras pois, são elas que alavancam o criativo, a renovação, a transformação.Tomar decisões em conjunto, é o mesmo que misturar  leite com a água. Onde os elementos se integram pela bondade amorosa e compromisso com a verdade, há respeito, há fluidez e  equilíbrio.

Abraços   ****

Vivi

ÍNDIA SÉCULO VI a.C.

Por volta do século VI a.C., afirmam os pesquisadores, surge na Índia um grupo de pessoas que decidiram não mais ter a guerra, o roubo, o saque, as ostentações, como padrão de comportamento valorizado para um guerreiro. A partir deste período, grupos de “renunciantes”, reconheceram que a “batalha a ser travada” era interior, sobre os poderes mentais frente aos impulsos inconscientes da paixão, do egoísmo, do ódio e da ganância, a serem extirpados pela força mental. Anular a autoafirmação orgulhosa do ego, passava a ser um valor a ser conquistado, alterando completamente a paisagem espiritual da época. Estes novos homens, não mais engajados nas atividades militares, passaram a desafiar a cultura, condenando o status, a glória, a honra, desvalorizando completamente a virilidade e os atos heroicos, altamente valorizados pela aristocracia da época. Eles dedicavam uma parte de seu tempo para a contemplação e a meditação, libertando-se do confinamento do egoísmo e alterando completamente a cultura da Índia, deixando a não violência como um valor a ser cultivado para as próximas gerações. Perseverando em suas práticas, este novo homem era introduzido num programa ético a ser valorizado  como experiência comum. São ideias que perduram até os dias de hoje, validadas pela psicologia, sendo a cada dia mais atuais e necessárias.

Abraços    ****

Vivi

DESATENÇÃO – UMA CULTURA?

A avalanche de estímulos, de informações em ritmo altamente acelerado em ambientes ruidosos, são fontes permanentes  da desatenção  Cores, sons, modismos, pessoas agitadas, ambientes lotados de coisas e falas são verdadeiros “usurpadores” da atenção do ser humano, onde o falso e o verdadeiro interferem na qualidade da presença. A cultura da desatenção retira o humano do seu presente. Desatentos, perdemos a presença ficando impedidos de fazer escolhas. A cultura da desatenção gera agitação, ansiedade, depressão e transtornos comportamentais, que a cada dia se tornam patologias do estresse. Diante de tantos paradoxos em desacordo com a verdade, a vertigem e o tédio tem um impacto direto sobre o viver, sobre as relações, danificando a convivência pessoal como a convivência social. Quando o humano fica impedido de se relacionar consigo mesmo ele também não consegue se relacionar de forma saudável com o outro, seja este outro mais próximo ou distante. Na desatenção, a pessoa é reativa. Ela não é capaz de agir segundo os seus propósitos, mesmo porque ela não consegue reconhecê-los. Quando a reação se torna um “modus operanti”, a violência tem as portas abertas para se estabelecer. Portanto, cuidado com a Cultura da Desatenção! Então, esteja atento à sua Atenção, esteja Presente em suas escolhas, em seu pensar, sentir e agir.

Abraços   ****

Vivi

IMAGENS NUTREM O ESPETÁCULO

Na afirmação de Guy Debord ” O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediatizada por imagens.” O espetáculo no seu “poder” de afetar as pessoas, produzindo grande efeito social, se torna um capital pela acumulação de imagens insistentes e persistentes. São cenas que se tornam publicidade nas redes sociais, afetando e de certa modo, modificando o comportamento das pessoas e suas visões de mundo.Pelo intenso acúmulo de imagens e informações muitas vezes díspares, a cada dia somos capturados pelas formas de pensar, de sentir e agir, segundo os interesses do espetáculo. A televisão e o cinema detiveram por muito tempo o controle das imagens, hoje as mídias expõe as cenas em novas formas, que talvez possa até parecer novas formas democráticas. Na desatenção, o espetáculo nutrido pelo acúmulo de imagens e cenas afeta a vida familiar, pessoal, relacional, profissional. Afeta a vida estética. Portanto, atenção ao espetáculo e a tudo que vai se tornando espetacular, ridículo ou enganador.

Abraços   ****

Vivi

UM ESPETÁCULO …

Como diria Hannah Arenth, estamos numa sociedade do espetáculo, onde o consenso serve para naturalizar os acontecimentos de forma espetacular. Na cultura do espetáculo, a imagem se transforma em capital a ser consumido, descartado, substituído ou seguido, conforme os interesses e conveniências do mercado.Os grupos de poder, nas mãos de uma minoria, estimulam os jogos midiáticos para garantir o “sucesso” do espetáculo. Sem nenhum compromisso com um pensamento reflexivo, a sociedade do espetáculo utiliza-se das cenas para manter o espectador, seja ele individual ou coletivo, capturando-os nos ridículos das superficialidades exibicionistas. Aqui não se pensa, pois não há interesse pelo ser pensante, o propósito é que tudo se torne um grande espetáculo muito bem manipulado e administrado. A sociedade do espetáculo expõe tudo e todos nos ressentimentos, na vergonha pelo outro. Na intensificação das cenas e imagens que são produzidas para manter o espetáculo, a desatenção impera e com ela a desorientação. Sem consciência do que acontece e na incapacidade de sair do círculo vicioso, as pessoas se perdem na vertigem da desorganização. As pessoas adoecem no excessivo. Portanto – Cuidado! Atenção

Abraços   ****

Vivi

LINGUAGEM COMO ACONTECIMENTO

O vivo se comunica e os seres vivos são seres de linguagem. Cada qual através de suas formas, se apresenta em comunicações. Os animais se comunicam em suas linguagens, fazendo circular em seus códigos e expressões informações relacionais. Os seres humanos sociais, são seres de linguagem na suas mais diversas expressões. As linguagens imagéticas, simbólicas, verbais, gestuais, são acontecimentos por onde a comunicação se estabelece. Conscientes ou não, as linguagens são acontecimentos do vivo,  com seus impactos performáticos repletos de variações e significados. Significados e símbolos que se reproduzem e se recriam esteticamente em acontecimentos internos e externos, atuam nas formas comportamentais como vias de comunicação. Toda linguagem entendida como um acontecimento, exerce sobre os corpos, sobre as sensibilidades e sobre o pensamento jogos de forças, nem sempre perceptíveis para uma consciência. Embora tais acontecimentos possam não serem evidentes, não significa que não tenham grande atuação nas relações e em todos os espaços relacionais. A moda, as formas de ser, as narrativas, o consumo de ideias e objetos, o falar, o comer, o transitar, são todos acontecimentos criados e recriados pelas diversas formas de linguagens. Estar atento às linguagens é estar atento aos acontecimentos. Portanto, Atenção ao que acontece!

Abraços   ****

Vivi

ANESTESIAR PARA NÃO PENSAR

Quando não há reflexão, facilmente acontece a queda para o reativo, aquilo que não passa pelo pensar. Agir ou reagir? A reação repete modelos e padrões constantemente estimulados pela publicidade e pelas mídias, que se colocam a serviço do impensado. Uma publicidade que atende aos jogos de poder, se torna perversa quando atua com o excessivo de informações e imagens que mais confundem do que esclarecem. Um excessivo que se torna ridículo mas, que em seu desserviço impede o pensar. De forma apelativa, a grande maioria das pessoas não percebe a manipulação para o anestesiamento ou seja, o não pensar, apenas reagir mecanicamente no jogo do aparecer, repetindo ideias prontas. O anestesiamento dos cidadãos para consumirem ideias, modelos, clichês, tudo pronto para ser usado e descartado mas, jamais pensado e refletido. Este estado de desatenção total ao que acontece e a incapacidade de questionar para perceber o  acontecido, acaba por desvalorizar o ser em função de um aparecer que em si mesmo, traz subjacente o poder de manipular. Pessoas que se deixam ser anestesiadas não pensam apenas reagem, consomem e descartam, e o ciclo da violência se repete freneticamente.  Portanto, atenção!

Abraços    ****

Vivi

AJUSTES  NECESSÁRIOS

Todos os sistemas vivos  necessitam de ajustes, assim também o planeta Terra e todos os seres humanos .  O corpo humano vivo, o organismo humano, com todos as suas  relações, sejam elas profissionais, familiares, de amizade ou afetivas, de tempos em tempos,  precisam de certos ajustes. Tudo que é vivo está em constante mudança, tudo que pulsa se transforma, cria e se recria. Ajustes sempre são necessários para renovar, atualizar, adaptar, adequar. Através dos mecanismos de retroalimentação, das interações e interconexões, os processos de ajustes  favorecem o equilíbrio e a renovação do sistemas vivos.  Tal como o organismo vivo necessita de ajustes, a psique humana também deflagra momentos no decorrer da sua maturidade que necessita de ajustes. Os ajustes psíquicos podem promover renovação e transformação,  e ficam evidentes nas diversas fases da vida, da infância ao adulto maduro.  A expressão do novo já é uma forma de ajuste. Uma das características dos sistemas vivos é sua capacidade de adequação para garantir o bom funcionamento do organismo. O reconhecimento da necessidade de ajustes nos diversos momentos da existência humana, em suas conexões e interações, pode facilitar os relacionamentos, o equilíbrio e a saúde somática, psíquica, afetiva e espiritual.

Abraços   ****

Vivi

 

SOMOS  SERES  DE  LINGUAGEM

Humberto Maturana, neurobiólogo e professor do Departamento de Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Chile, afirma que “ Nossa vida humana se dá na dinâmica relacional na qual a vivemos ao viver em conversações como seres linguajantes.”  Como entidades biológicas, nossa história humana acontece em conversações em nosso viver cotidiano. São coordenações de coordenações em linguagens e conversações.  Somos seres de linguagem, e nossa realidade comportamental se constrói na corporalidade de nossas conversações.  Nas relações sociais estamos em contínuo intercâmbio de informações, nos  modos de ser e estar no cotidiano vivido. Construímos histórias, linguagens, narrativas, corpos, conexões, que se conservam no intercambiar de nossos afetos. Nos encontros,  compartilhamos narrativas, histórias, afetos, corpos,  no presente vivido. Na linguagem construímos e nos construímos, renovamos, criamos e  transformamos no emocionar. Cada conversação é um momento em que o humano pode emocionar e amar no instante do vivido. Portanto, nossa preocupação deveria estar  em amar a existência humana viva em cada encontro pois,  no encontro  temos a oportunidade de conversar, linguagear, emocionar, amar e renovar .

Abraços    ****

Vivi

TUDO  MUDA  …

Embora que os faraós tenham governado o Egito por 3 mil anos e os papas tenham dominado a Europa durante um milênio,  a única e grande constate na História é que tudo muda. A História é testemunha da ascensão e queda de muitos impérios, religiões e culturas. São mudanças e reviravoltas necessárias.  Quem poderia imaginar há dois mil anos atrás,  as grandes mudanças que estão  acontecendo  nos costumes das relações humanas seja  no namoro, na família,  no uso dos smartphhones, no mercado de trabalho e em tantos setores e aspectos das relações e das instituições por onde as pessoas transitam. A história das civilizações são as grandes testemunhas das mudanças, desde o aparecimento do primeiro organismo há 4 bilhões de anos. Quem poderia imaginar? Será que um egípcio que viveu no tempo de Ramsés II, poderia imaginar viver num mundo sem faraós que  garantisse  a ordem, a paz e a justiça? O medo da mudança é o medo desconhecido mas, gostemos ou não, as mudanças são reais, permanentes e inevitáveis.

Abraços   ****

Vivi