PRECONCEITO

“Na raiz de todo preconceito sempre há uma distorção da realidade, opiniões ou convicções falsas a respeito da superioridade de um grupo sobre o outro.” Esta afirmação de Howard Cutler, psiquiatra e escritor, advém de uma série de pesquisas que vem realizando para compreender, como o cérebro humano  “tende a priorizar as informações que ratificam as suas convicções, como a ideia de que os outros grupos são inferiores ao nosso, filtrando informações contrárias.”  O ser humano, no seu processo evolutivo, tende a formar convicções que sejam condizentes com a sua predisposição emocional. Fica evidente o quanto as emoções negativas podem interferir na construção de ideias falsas a respeito da realidade, assim também os constructos políticos e midiáticos. Estruturas de poder geradoras de programas políticos, criam crenças que acabam sendo solidificadas, classificando indivíduos e grupos a partir de falsas convicções.  O sentimento de superioridade, se fundamenta em falsas crenças, em estados mentais  aflitivos como a arrogância e o desprezo, advindos da ignorância. Considerando o processo evolutivo do cérebro humano, frente à uma grande quantidade de informações, aprendeu a atribuir significado aos objetos, identificando-os e rotulando-os. O cérebro filtra as informações percebidas, formando impressões e separando-as em categorias, permitindo fazer escolhas ao que é ou ao que não é relevante. O cérebro simplifica a realidade. Portanto, recebemos a realidade segundo as nossas convicções e não tal qual a realidade se apresenta. Aqui nascem os preconceitos.

Abraços    ****

Vivi

DISCUTIR NA DISCUSSÃO

Em meio a tantos ruídos, tantas agitações, tanta pressa, tantas demandas, onde tudo se agita, a cada dia as pessoas escutam menos e discutem mais. Discutem porque não escutam, então gritam. Quanto mais gritam menos escutam e mais se agitam, num círculo vicioso sem saída aparente. Quando não ouvimos não entendemos. Nas aparências das representações, perdemos o sentido e o significado das palavras e a comunicação se interrompe. Ficamos separados, distante de si e do outro. Por não escutar, discutimos! Acreditando que, gritando o outro possa me ouvir, aumento o volume, faço uso de um poder sobre o outro na tentativa de intimidá-lo e impor minha verdade, acreditando ser a minha, a única verdade. Na discussão discutimos! Discutimos com o outro, com os outros e ainda, discutimos internamente porque também não conseguimos nos ouvir. Não escutamos o outro, porque também não somos mais capazes de ouvir a si próprio. Então discutimos! Discutimos porque não escutamos e gritamos, porque o coração se distanciou!

Abraços   ****

Vivi

ATRÁS DOS OLHOS

Quem está atrás dos olhos? Quem é este sujeito que está atrás de meus olhos, vendo o que vê? Posso eu reconhecê-lo? Sou íntimo desta pessoa que vê o que vê? Posso eu reconhecer as lentes pelas quais meus olhos olham o mundo? Reconheço as lentes com as quais eu conheço o mundo em que vivo e convivo? Através de que lentes vejo e interpreto o mundo em que vivo? Estas são perguntas fundamentais na existência humana. Elas permitem abrir os caminhos na direção do sentido e do significado desta existência humana. São perguntas de orientação. Se não consigo reconhecer quem de mim vê o que vê, quem de mim se relaciona com o mundo vivido, como fazer escolhas no cotidiano? Frente às inúmeras configurações, às mudanças a cada momento do vivido, quem de mim decide o que decide? O mundo é o mundo, os acontecimentos acontecem, cabe a mim, à pessoa que sou, fazer escolhas que me permitem seguir na direção da felicidade ou da infelicidade. Seguir favorecendo a minha felicidade e a felicidade de todos à minha volta, depende dos valores que tenho cultivado. Se ninguém pode ser feliz sozinho, como também não há paz sozinho, poder ver com clareza e discernimento é fundamental para a preservação da vida em todas as suas manifestações. Saber de si, saber quem de mim vê o que vê, já é em si mesmo uma fonte de iluminação na grande e desafiadora trajetória do viver e conviver. Esta é uma responsabilidade pessoal, uma responsabilidade Ética. O sabor do saber é ser livre para amar e ser amado, respeitar e ser respeitado, acolher e ser acolhido, encantar e ser encantado.

Abraços    ****

Vivi

NUM MUNDO MENOR …

Com toda a rede comunicacional, intensamente interconectada em tempo real, onde informações, conhecimentos e acontecimentos em pequeníssimo tempo são levados para todos os lados do planeta, a responsabilidade do humano se torna a cada dia maior. A velocidade encurtou distâncias mas, ao mesmo tempo, intensificou as  polarizações que exigem novas formas de se relacionar com diversidade. Huston Smith, considerado a mais eloquente autoridade contemporânea em história das religiões, afirma com toda a sua sabedoria: “ A cada dia que passa o mundo fica menor, fazendo da compreensão o único lugar onde a Paz pode encontrar seu lar.” Para compreender o outro, reconhecer e incluir as diversidades, naturais do humano,  é necessário diálogo, escuta ativa, pausa com atenção e silêncio amoroso. É urgente a necessidade de retirarmos  as  armaduras dos preconceitos e verdadeiramente nos abrirmos  para o acolhimento, a boa vontade, o respeito mútuo, de tal forma que possamos  encontrar  juntos,  caminhos mais criativos e inteligentes, onde a sabedoria, a serenidade e a coragem possam ser nosso farol e guia.

Abraços    ****

Vivi

 

“EU” OU “NÓS” – “EU” E “NÓS”

Uma pergunta sempre acompanha as reflexões, quando se trata de mudanças e de ações transformadoras no plano do humano e suas relações de convivência, sejam elas pessoais ou coletivas. Por onde começar? Seria pelo indivíduo ou pelo coletivo? Talvez a resposta mais equilibrada poderia ser: atuar em todos os níveis,a um só tempo, afinal não seria este ou aquele mas, ambos ao mesmo tempo. Não se trata de considerar nem o individualismo nem o coletivismo. A questão não se refere a “eu” ou “nós” mas, “eu” e “nós”. Para encontrarmos um estado de felicidade, que todas as pessoas almejam, é preciso considerar sempre a autonomia e a criatividade como também e igualmente, o bem-estar do grupo. É preciso considerar e conciliar os interesses individuais, como também os interesses coletivos. Os obstáculos surgem nos exageros, quando o pêndulo insiste em permanecer nos extremos. O equilíbrio só poderá acontecer a partir de uma visão holística onde o indivíduo é também o coletivo, onde um “eu” é também um “nós”, pela própria responsabilidade de uma condição natural biológica e valorativa da cultura. A separação, a exclusão, os exageros dos extremos, a visão linear e reducionista, interfere  no equilíbrio. Os extremismos comprometem o pulso relacional entre um “eu” e um “nós” e ainda, impedem a cooperação e a coexistência. Indivíduo e coletivo, sujeito e grupo se completam, se complementam em relações de cooperação e linguagem, nos laços de afeto e vínculo, reciprocamente. O estado de felicidade acontece na harmonia entre o “eu-com-nós”.

Abraços   ****

Vivi

 

SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS

Existe uma tendência a depositarmos mais foco nas diferenças do que nas semelhanças. Ao longo do processo de crescimento, somos levados a fazer inúmeras escolhas em nossa vida: escolher uma profissão, um trabalho, um parceiro sexual, um grupo de lazer , de tal forma que vamos nos diferenciamos e esquecemos as nossas profundas semelhanças humanas. A atitude de se diferenciar, focando com mais intensidade as diferenças, concorre para alimentar preconceitos e violências das mais variadas formas e expressões. No entanto somos também profundamente semelhantes, respiramos todos o mesmo ar e vivemos todas na mesma terra, apresentamos as mesmas respostas emocionais, as mesmas angústias, os mesmos padrões de comportamento e todos nós queremos ser felizes, todos nós buscamos a felicidade. Quando sobrevalorizamos as diferenças, corremos o risco de negligenciar as nossas profundas semelhanças como seres humanos, habitando o mesmo planeta, apresentando as mesmas expressões biológicas. Gostamos de pensar que somos únicos nesta história mas, esquecemos que esta história é comum a todos nós. Atitudes às vezes quase obsessivas de sermos diferentes, concorre para gerar incontáveis conflitos relacionais, pessoais e coletivos. Talvez, pudêssemos refletir um pouco mais e trazer à consciência as nossas profundas semelhanças como humanos. Compreender que somos diferentes em alguns aspectos mas, somos semelhantes em tantos outros. Com esforço e determinação, podemos ampliar o nosso olhar para reconhecer que fazemos parte, que dependemos uns dos outros na totalidade da vida. A consciência de nossas semelhanças, poderá abrir espaços para relações mais cordiais, mais gentis, com mais solicitude, gerando sentimentos favorecedores da empatia e da compaixão.

Abraços   ****

Vivi

 

DO “EU” PARA O “NÓS”

Enquanto estivermos alienados no condicionamento da separação, continuaremos alienados de si, do outro e do mundo ao nosso entorno. Um grande equívoco é acreditarmos que podemos viver sozinhos. A própria biologia é interação. O vivo é interação. Tudo que vive interage na interdependência em trocas recíprocas, apenas a cultura nos tem feito acreditar no individualismo, na separação, geradora de preconceitos e violências. Mudar a orientação do “eu” para o “nós”, requer reflexão consciente para analisar os benefícios de uma vida integrada e os malefícios, pessoais e sociais de um viver isolado no egoísmo, no auto convencimento, na prepotência. Mudar a orientação de uma visão de mundo isolacionista e entender que, a vida se faz a partir da reciprocidade, que a felicidade só existe junto, no compartilhar. Quando perdemos a nossa identidade como seres humanos, é preciso refletir, trazer à consciência os laços que nos une como seres humanos. Todo o Projeto Genoma evidencia que somos iguais como seres humanos e 99,9 por cento do código genético humano, é o mesmo para todas as pessoas. Mudar a direção, a orientação, o olhar, a visão de mundo do “eu” para o “nós”, requer esforço, reflexão, boa vontade para entendermos que a felicidade não se faz sozinha, que a felicidade não existe no egoísmo mas, que a felicidade emerge quando entendemos e agimos a partir dos laços de afeto que nos une como humanos, como indivíduos, como sociedade. O espírito comunitário se alinha à busca da felicidade, e todo ser humano quer ser feliz, quer se sentir pertencente e reconhecido em um grupo.

Abraços    ****

Vivi

COM QUEM CONVERSAR …

Pesquisadores da Universidade do Arizona e da Universidade de Duke, concluíram a partir de uma série de pesquisas que “nas últimas duas décadas, o número de pessoas que dizem não ter ninguém com quem conversar sobre assuntos importantes quase triplicou.” Segundo o Censo Geral  realizado pela Universidade de Chicago, “o percentual de pessoas que não possuem  amigos próximos ou confidentes chega a impressionantes 25 por cento da população norte-americana.”  Em 1985 outra pesquisa revelou que cada norte-americano tinha apenas três amigos próximos e em 2005, apenas dois amigos próximos ou confidentes. Estes dados revelam que as ligações sociais estão diminuindo consideravelmente e os padrões de integração social, estão se modificando evidenciando que os laços que nos une à uma comunidade e aos nossos vizinhos estão se desfazendo. Além das consequências deletérias geradas na saúde física, emocional e mental , “a falta de contato social e a falta de espírito comunitário podem ser os problemas sociais mais graves do novo milênio.”  São revelações de um grupo multidisciplinar de cientistas, trazidos pelo professor de psicologia da Universidade de Liverpool no Reino Unido, Robin Dunbar. O distanciamento entre as pessoas gera solidão e desconforto pessoal e social. A solidão que se alastra, compromete a felicidade no cotidiano das pessoas. O isolamento, o sentimento de separação entre as pessoas ou grupos, evidencia o declínio do espírito comunitário humano.

Abraços   ****

Vivi

ESTAMOS LIVRES OU ESPREMIDOS ?

 O sentimento de liberdade é algo que se conquista momento a momento. A liberdade é fruto de escolhas que se fazem na consciência. Quando nos deixamos ficar aprisionados pelas paredes estreitas de um ego que insiste no egoísmo, nos sentimos espremidos em suas paredes. Tudo fica apertado, desconfortável e o pior, nem sabemos a razão. Estar atento aos mecanismos de um ego inflado do autoconvencimento,  é fundamental para um sujeito que busca a sua liberdade. Não pode haver liberdade se nos deixarmos ser espremidos pelas paredes de um egoísmo. Revisitar estes espaços é fundamental para quem preserva a sua liberdade pois, ao menor descuido o ego pode nos capturar através dos padrões mentais que  se repetem no corpo e na mente de um sujeito desatento. Todas as pessoas querem ser livres e felizes mas,  nem todas as pessoas se reconhecem aprisionadas. Querer ver e distinguir liberdade de aprisionamento, requer coragem e amorosidade com boas doses de boa vontade.

Abraços    ****

Vivi

DISTINGUIR O ESSENCIAL

 Distinguir o que é essencial do que não é essencial no viver e conviver,  é sempre um ato de sabedoria. Distinguir em si mesmo, na sua vida interior, o que realmente é essencial do que não é essencial para uma vida equilibrada e harmoniosa, é saber o que tem valor, ou melhor, o valor da própria vida. O que tem valor? O que valorizamos no cotidiano de nossas vidas? O que, apesar de todos os desafios, não posso abrir mão? São perguntas a serem revisitadas cotidianamente pois, a todo momento somos levados a ter que   distinguir o essencial do não essencial em nossas vidas. Se não tivermos clareza poderemos estar investindo nossa energia naquilo que é desprezível, perdendo a essência da própria vida.

Abraços    ****

Vivi