EQUILÍBRIO NA AÇÃO

 Equilíbrio já pressupõe em si mesmo uma justeza entre as “forças vetoriais”. Pressupõe balanceamento, reciprocidade. A postura ereta em pé  como a atitude ereta/reta em conduta, traz em si mesmo o equilíbrio entre as partes.  Quando em pé me equilibro quando distribuo igualmente o peso entre as minhas duas pernas e pés. Quando dizemos “aquela pessoa é uma pessoa equilibrada” no mais das vezes, estamos fazendo uma referência à sua conduta, no sentido de uma condução equilibrada nas decisões, orientações  em sua vida.Tudo que é extremado desequilibra, em algum momento perde a sustentação. Na vida pessoal como na vida social , o grande desafio é estabelecer ações equilibradas e para isto precisamos do bom senso, da paciência, da tolerância, virtudes fundamentais para o bem viver. Como ser leve e firme ao mesmo tempo sem perder o equilíbrio, como afinar as cordas de um violão, nem muito frouxas nem muito rígidas. O grande pensador, filósofo, escritor, Edgar Morin afirma: “ … estabelecer um princípio de ação que não ordene, mas organize, não manipule, mas comunique, não dirija mas, estimule.”, é saber reconhecer o mistério em todas as coisas.

Abraços    ****

Vivi

JEJUM DE PALAVRAS

Quando a palavra é silêncio, o maior desafio é o silêncio das palavras. Silenciar por pequenos instantes a enxurrada de palavras que se emendam umas nas outras, é um desafio para o autoconhecimento e a maturidade espiritual. Neste sentido, não há como negar que , tudo é uma questão de treino. Que a nossa mente deseja o prazer da verborréia insana, que culturalmente aprendemos a sempre buscar explicações e  justificativas para dar respostas, mesmo que sejam desprovidas de propósito, isto já sabemos. Sabemos também que, o caminho do aprimoramento pessoal convida ao silêncio das palavras. Quanto maior é o barulho interno, menor são as possibilidades de um contato real e verdadeiro com a nossa intimidade. O mergulho no mais profundo do nosso ser precisa do silêncio, pois é na profundidade que podemos encontrar as pérolas sagradas da nossa essência. Elas estão lá, todas elas mas, para acessá-las é preciso silenciar. Um bom caminho é começar por experimentar o jejum das palavras, experimentar o não falar para ampliar o espaço interno e externo e poder escutar. Escutar a si mesmo pede o silêncio das palavras. Escutar o outro, pede a disponibilidade do silêncio interior. Começar por economizar as palavras e jejuar-se de palavrórios inúteis, já é em si mesmo, um excelente passo no caminho da sabedoria.

Abraços    ****

Vivi

CORRER PARA A VELOCIDADE

Seria a razão do viver humano correr na direção da velocidade? Ganhar mais velocidade a cada dia, qual é o sentido disto? Diante das incontáveis demandas colocadas no cotidiano, a necessidade de correr contra o tempo passa a ser uma questão de sobrevivência. Onde tudo é urgente, nada é urgente. Onde tudo é prioritário, nada é prioritário por uma simples equação de espaço. O tempo como o espaço biológico da vida humana tem seus limites, que a cultura embora com todos os seus convencimentos e artifícios, não consegue ultrapassar. Na corrida da velocidade, o humano se ilude que pode ter tudo e mais alguma coisa, mesmo que esta “coisa” seja inecessária para o seu viver. Fazer e acumular!  Será que a vida humana se resume apenas em ganhar velocidade? Velocidade para quê, para chegar aonde? Apenas para a satisfação de um ego? A miséria humana habita a casa da ignorância.  Quando o humano se lança no abismo da não reflexão ele se torna miope, não consegue ver nem a si nem ao mundo. Na escuridão cega de seus desejos e ilusões, das falsas crenças, da ansiedade que não cessa, no barulho intenso de um ego cada vez mais egoísta e vaidoso, o que lhe sobra é mais irritação, frustração, desânimo, medo, raiva, solidão de si mesmo. Talvez a pausa silenciosa possa indicar o caminho da sabedoria. A vida possui o seu ritmo, a sua cadência. Respeitar seu tempo é maturidade, é viver em consonância com a plenitude da vida. A experiência do silêncio pode ser a cura e a transformção.

Abraços    ****

Vivi

O SILÊNCIO SE APRENDE

Silêncio é entrega, é disponibilidade desprovida de compromissos na arte do viver. É a coragem que permite jamais romper o silêncio, uma prova desafiante. Para que a agitação ou o torpor se dissipem e a calma atenta se aproxime, é preciso atravessar muitos desertos. Abandonar papéis e rótulos para viver o silêncio em cada silêncio de um instante presente, requer a disponibilidade da entrega confiante, é como dizer “sim” por aquilo que está por vir. Quando cessam os ruídos da mente, é possível descobrir a magnitude do silêncio e da paz. No silêncio se aprende a plenitude da cura. São Bento diz no início da sua regra: ” Escuta, filho, os preceitos do Mestre, e inclina o ouvido do teu coração.” Ousar diminuir a velocidade, abandonar o mecânico, o automático, o condicionado, é criar em si mesmo o espaço interior onde nada, absolutamente nada, pode abalar nossa mente e nosso coração. Aprender no silêncio a silenciosa sacralidade da vida, deixando apenas ser um ouvido puro que se entrega para ouvir a pureza de um  coração divino.

Abraços   ****

Vivi

QUANDO O VENCIDO É O VENCEDOR

” Na busca comum da discussão, quem é vencido ganha mais, na medida em que aumenta o seu saber.” Epicuro  – O que significa o vencer? Vencer em relação a que? Numa sociedade competitiva, o vencer e o vencedor sempre ocupam um lugar de destaque. Sob uma outra ótica, esta relação pode não ser a verdadeira. Quando uma pessoa se dispõe a aprender a reconhecer e administrar suas emoções, aprender a tomar consciência das distorções da realidade e ainda, a aprender a libertar-se do que lhe causa tormentos, a relação do embate revela uma outra face  do vencido, a face da magnitude. O “vencido” deixa de ser um perdedor para ser um ganhador, pois tem a oportunidade de aprender e  ampliar o seu saber oferecido própria experiência. Um olhar superficial de uma certa situação pode ser um grande equívoco, sendo necessário muito cuidado para não cair na banalização do sofrimento do outro. O viver é sempre  uma grande oportunidade para aprender, para ampliar a nossa percepção da realidade quando somos capazes de sair do olhar raso da ignorância.

Abraços    ****

Vivi

APRENDI E TENHO APRENDIDO COM ELA …

“Aprendi com a primavera a me deixar cortar e a voltar sempre inteira.”  Cecilia Meireles –  As estações do ano são verdadeiros mestres para quem puder ver em cada uma delas um ensinamento.  Os míopes de coração não conseguem compreender as verdadeiras riquezas que cada uma delas nos oferece. A primavera nos convida à alegria, ao florescimento, à brotação, à renovação, ao encantamento, à criatividade, ao criar e recriar, ao contentamento.  A vida é capaz de se criar e recriar, permanentemente. Em sua dinâmica, em seu pulso, a vida mantém ritmo e persiste no seu projeto vivo. O desapego se alimenta da humildade, que por sua vez se alimenta da coragem, da fé na imensa capacidade de renovação da vida. A vida sempre floresce, desde que oportunizemos o seu florescimento. Abrir espaço para o novo, é ter a coragem de desapegar-se dos velhos padrões que já não fazem mais sentido, é se deixar “podar” para renovar. A primavera é beleza e como tudo que é belo, é também sagrado e o sagrado se manifesta no silêncio da gratidão.

Abraços    ****

Vivi

ESCUTAR PARA COMPREENDER

Quando uma pessoa se dirige a nós com a sua palavra, quando ela vem ao nosso encontro para estabelecer uma interlocução, ela não quer apenas obter de nós respostas às suas narrativas mas, quer sentir a nossa presença, a nossa fraternidade, o nosso afeto. Escutar é um ato de humildade, de doação ao outro. Escutar é uma presença atenciosa e sincera daquele que está realmente interessado no outro. Não é apenas uma atutude benevolente, pois a verdadeira escuta é a manifestação de uma presença, de uma pessoa que está totalmente presente para quem fala. Uma presença sem reservas. Se houver um pedido de conselho, aquele que escuta com uma atenção livre de julgamentos, poderá oferecer  o seu melhor naquele momento. A escuta verdadeira é uma presença sem palavras em face ao outro, onde toda a atenção, a consciência daquele que escuta está voltada para o outro, para o dizer do outro. É uma presença de humildade onde o outro está à frente. Esta atitude de entrega ao outro no profundo respeito, permitirá a compreensão, o vínculo, a capacidade de se deixar tocar pelas palavras do outro, pelos afetos do outro, pelo viver do outro. Compreender não é julgar, não é intervir, não é interromper, não é analisar, não é aconselhar mas, uma entrega para querer ouvir o outro, com profundo respeito pela palavra e pela presença do outro.

Abraços    ****

Vivi

O PODER NO CUIDADO

Cuidar e ser cuidado, uma relação recíproca onde ambos são favorecidos, quem recebe e quem oferece.  Cuidar do outro implica em saber cuidar de si. É pela experiência de se respeitar e se valorizar que é possível respeitar e valorizar o outro. O cuidado não se refere apenas àquelas pessoas que necessitam de uma determinada ajuda. O ato de cuidar, de respeitar, de acolher, de preservar o outro, de ser gentil e cordial já traz em si mesmo o poder da potência da vida. São atitudes que podem acontecer a todo momento da existência humana, em todas as relações e nas diversas situações do cotidiano do viver e conviver. São momentos onde temos a chance de potencializar a vida, onde ambos, quem oferece o seu cuidado e quem recebe o cuidado, se beneficiam. Ambos se potencializam. O cuidar, o cuidador e o “cuidado” , aquele ou aquela que recebe a generocidade e a benevolência, todos se alegram e se empoderam. São preciosas oportunidades onde a potência vital se manifesta como nutriente de uma consciência. O ato de cuidar e ser cuidado manifesta a força vital, o poder transformador e renovador da vida. Cuidar e se deixar ser cuidado, são experiências sagradas da existência humana.

Abraços    ****

Vivi

 

VINCULAR OU ROMPER

A vida é feita de escolhas! Você é dono do seu seu destino! Pensar escolhas, é pensar consequências e desdobramentos. A pessoa humana é responsável por suas escolhas ao longo dos seus dias vividos mas, também não se trata de uma lógica matemática. Algumas pessoas nem sequer tem a oportunidade de escolher, pois já lhe foi negada a oportunidade de pensar restando-lhe apenas o sobreviver. Às pessoas que podem pensar, talvez fosse interessante considerar que dentre as esolhas a serem feitas no cotidiano do viver, uma delas se refere à vontade de vincular ou a de romper. Quando cultivamos as emoções positivas como a alegria, a felicidade, o contentamento, estabelecemos um vínculo harmonioso com o mundo. As emoções consideradas negativas como a tristeza, a raiva, o medo, o ressentimento, são marcadores de uma ruptura do vínculo entre nós e o mundo. Com atenção, podemos escolher estarmos em harmonia vincular conosco e com todos ao nosso lado ou, romper conosco e com o nosso entorno. Se a escolha é a felicidade, alimentar as emoções positivas é fortalecer o vínculo com tudo que nos faz feliz, alegres e encantados com o mundo e o viver, apesar de todos os desafios.

Abraços    ****

Vivi

PRATICANDO É QUE SE APRENDE

Seguindo a intuição Aristotélica, “é forjando que se faz o forjador”, é possível estender o raciocínio para:  é praticando que se aprende.  Aprender pede o repetir. Toda mudança exige um compreender e um praticar.  Exige clareza de intenção, presença atenta e boa vontade. É a prática das virtudes que nos torna virtuosos. Se queremos mudar um comportamento, uma atitude , um padrão mental ou padrão de comportamento que neste momento se mostra inadequado em nosso viver, é necessário praticar o novo. Sair da hostilidade para encontrar a amabilidade, requer um treinar, um  praticar permanente.  Há que ter atenção para ser a cada momento gentil, cordial e amável. Ser a todo instante  consigo mesmo e com os outros, uma pessoa amável, benevolente, amorosa, alegre e compreensiva. Um exercício permanente de construção de si mesmo , de engrandecimento de si mesmo, onde corpo e alma se engrandecem e se fortalecem na dignidade de ser verdadeiramente um ser  humano.

Abraços    ****

Vivi