BUSCAR A PLENITUDE

A busca da plenitude, do desenvolvimento pessoal, da autorealização, da felicidade, são objetivos que toda pessoa de forma consciente ou não, almeja para a sua vida. Todo ser humano quer ser feliz. Ninguém em sã consciência opta pelo sofrimento. Contudo, estes propósitos, dignos para uma existência só fazem sentido na ação. De maneira geral, o que se verifica é que as pessoas ficam no conceito e perdem o sentido. Sem ação concreta não há força geradora que impulsione para a conquista de uma vida plena. Os discursos ficam aprisionados na “bolha do ego” e não há transformação. É na ação, é no realizar a benevolência pela abertura ao outro e aos outros que se pode conquistar o desenvolvimento pessoal. O exercício da plena consciência não pode ser absorvido por um ego inflado. Querer ser feliz, ser uma pessoa realizada, é um propósito que está diretamente acoplado com a atitude de também querer a felicidade do outro. Querer se transformar sem querer servir aos outros é permanecer no egoísmo. Querer ser feliz apenas para si mesmo não permite o acesso ao caminho da plenitude. A busca da plenitude só poderá ser realizada pela benevolência e abertura ao outro e aos outros, pois é na ação e não no conceito que a felicidade genuína pode ser alcançada. De nada adiante ler livros de auto-ajuda, assistir palestras e conferências, viajar para retiros de isolamento, estar com os grandes mestres, fazer terapias inéditas de “última geração”, adentrar pelos treinos mentais, cognitivos, emocionais …. acender incensos e dar esmolas e fazer doações, se tudo isto não for concretizado na ação altruísta e benevolente. Sem a experiência, sem a atitude concreta e consciente de ir ao encontro do outro para diminuir o seu sofrimento, ficaremos limitados aos conceitos e teremos que ficar com o peso da “mochila da frustração” sobre as nossas costas. Uma vida de plenitude, é uma vida onde somente o servir ao outro me permite servir a mim mesmo.

Abraços    ****

Vivi

ALEGRIA DO CORAÇÃO

 A alegria é um sentimento, um estado da alma que sempre encontra uma saída digna quando parece que não há saída. É um certo jeito de “estar no coração” que desobstrui os caminhos, facilitando a condução da nossa existência. Como tantos outros sentimentos, a alegria também aceita e precisa ser cultivada através de uma atenção focada e voltada para oferecer-lhe os nutrientes necessários. A alegria se alimenta do bem-estar-bem consigo, do contentamento, da vontade que nutre a motivação, da capacidade de querer aprender e compreender, do respeito às pausas, do perdão e da auto-conciliação. A alegria traz luz, ilumina, permite que as cores se revelem na sua magnitude e os perfumes possam exalar e permear por todo o  espaço do nosso ser mais profundo. São muitos os seus matizes, inclusive com ela estão também os tons da tristeza, um estado interno que se recolhe na intimidade de seu ser no exercício da auto-escuta pois a vida, como uma grande arte, também comporta a arte de se escutar e se reconhecer. Alegria não é euforia, ansiedade ou agitação. Alegria é o encantamento pelo prazer de viver uma vida genuinamente melhor. Para viver a alegria não há fórmulas, apenas a vontade determinada por viver uma vida plenamente feliz. Isto não significa se iludir com a inexistência dos obstáculos e desafios próprios do viver e conviver mas, estar desperto para o exercício da busca do desenvolvimento pessoal com os outros e para os outros, na fraternidade comum da dignidade humana.

Abraços    ****

Vivi

BOM HUMOR SEMPRE É BOM!

No Banquete de Platão, Sócrates ressalta em seus diálogos a importância do humor, de um ambiente bem humorado para uma boa reflexão. Inspirado por “Baco”, os ares Dionisíacos abrem os portais da mente reflexiva e o pensamento pode fluir com mais liberdade. Pensar num ambiente livre da opressão, além de prazeiro é muito mais frutífero. Um clima relacional descontraído facilta a compreensão, facilita a concordância das ideias, facilita o consenso. Quando o coração é cordial a mente é criativa. Ela pode se encantar, se deleitar pelo prazer de pensar, não necessáriamente concordar ou discordar, muito menos impor qualquer ponto de vista, porque não há necessidade de convencimento mas sim, de entendimento. O bom humor é como o sal da vida, ele oferece o sabor especial no banquete das relações. Ser bem humorado não significa ser piadista mas, ter a clareza que muito mais que ter razão o importante é ser feliz. Não há o que convencer mas, o que aprender, nem que seja aprender pelo exercício da pausa, da paciência, da alegria que pode contagiar com a beleza da sua magia. Bom humor sempre é bom. Faz bem à saúde do corpo e da mente, enobrece a alma.O cinismo não encontra espaço no bom humor. A conexão com um estado interno receptivo, alegre, cordial, já é em si mesmo uma experiência vivificadora, uma experiência de autorealização, uma experiência viva da elegante magnitude da vida.

Abraços    ****

Vivi

CEGUEIRA E MUDEZ

Uma sociedade onde o excessivo se torna o usual, o tempo da pausa é sequestrado. Um tempo que é usurpado de tal forma, que os cidadãos nem se apercebem. As exigências quando intensas entram no automatismo e tudo se acelera. Ansiedade, agitação, intolerância, impaciência, oportunismos, desvalia, frustração, são sentimentos que se tornam comuns e até imperceptíveis. Adoeceu? Temos um medicamento a te oferecer, com efeito imediato! Esta sociedade torna a cada dia seus cidadãos cegos e mudos. Não se consegue perceber o que acontece e, como o que acontece está tão incrustrado nas rotinas diárias que também a palavra fica comprometida. Aqui não há voz porque não há espaço para voz, nem externa e nem interna. O cansaço toma conta de tudo e tudo se torna mecanicamente como se fosse normal. Adoeceu? Temos um medicamento cujo efeito é imediato!

Abraços ****

Vivi

SOMOS UMA MÁQUINA ?

Uma sociedade voltada para o desempenho, onde o racionalismo excerbado é a medida de todas coisas, as planílias contabilizam os ganhos e controlam a burocracia e tudo sob controle tecnológico, pode  ser considerada uma sociedade livre formadora de cidadãos livres? Será esta uma sociedade que preserva a liberdade da vida e oportuniza espaços de reflexão responsável entre de seus cidadãos? Ou será esta uma sociedade que tem transformado o humano numa máquina de desempenho, para maximizar a produção e o consumo, reduzindo a função vital humana a uma funcionalidade produtiva? O escritor, doutor e professor de filosofia na Universidade de Berlim, Byung-Chul Han afirma: ” O excesso da elevação  do desempenho leva a um infarto da alma.” Onde estamos? Onde chegamos? E agora, para onde vamos? O que fazer? A responsabilidade como as escolhas, são de responsabilidade absolutamente pessoal. Então, o que pretendo para a minha vida?

Abraços    ****

Vivi

POTÊNCIA – POSITIVA E NEGATIVA

Estando numa sociedade da positividade, onde os olhares no mais das vezes se voltam para o prazer a qualquer preço, sentimentos considerados negativos não encontram espaço de ressonância. Na sociedade de desempenho tem valor aquilo que é positivo pois, se a direção é produzir para consumir, ser ativo ao máximo trabalhando para render, sentimentos considerados negativos não interessam. Sendo a vida potente e intenso o pulso vital, os sentimentos humanos como a própria vida por serem dinâmicos e potentes, comportam a luz e a sombra, o positivo e o negativo. Quando se trata de sentimentos positivos, fala-se em potência positiva altamente estimulada na sociedade produtiva, a sociedade da positivação. Ocorre que, faz parte do ser humano também os sentimentos de angústia, de luto, de medo, de ira. Uma sociedade onde a positivação é crescente e valorizada, sentimentos tidos como “negativos” são enfraquecidos. O excesso de positivação que pendula entre a hiperatividade e a hiperpassividade gera desagregação, desconforto, inadequação, caindo no reduto da despotencialização. Neste cenário, o humano se depara com a impotência da depressão, do pânico, das doenças do sistema imune, caindo no esgotamento espiritual. A potência da vida humana se encontra no equilíbrio consciente entre o positivo e o negativo, onde a atenção profunda pode discernir e viver plenamente  a riqueza de seu potencial, sem se deixar cair na “maquinização de uma estupidez mecânica”.

Abraços    ****

Vivi

ALÉM DO ANDAR … O DANÇAR

O Homo Erectus ficou em pé e caminhou. Em grupos o humano caminhou pelas savanas, migrou, conheceu territórios. Se constituiu em comunidades, fez cultura. Andando conheceu ervas, buscou alimentos, fez utensilios, domesticou animais, cultivou sua agricultura. Andando conheceu e se conheceu mas, foi além… fez linguagens, narrativas, contou suas histórias, esculpiu imagens, fez seus instrumentos musicais, suas músicas, seus ritmos, seus adornos, suas cores, cantou, dançou e sonhou. Com a dança aprendeu que poderia ir além e muito além do passo. A dança com seus movimentos revoluteantes, permitiu ao humano transpor os passos do andar e correr para os passos sonoros das rodas, dos giros, dos ritmos e o corpo, a mente e a alma puderam ampliar a consciência criando novas perspectivas e possibilidades de comunicação, de agregação, de vínculos, de linguagens, de conexões, de inspirações e encantamentos.A dança expandiu o criativo. O balançar trouxe ao humano uma experiência totalmente diferenciada do simples andar. Dançando, o humano se comunicou com o divino conectando a profundidade do seu interior com o transcendente, criando espaços totalmente diferenciados na sua consciência. A dança foi além, porque ao dançar o humano pode seguir para além da linearidade, ele pode acessar espaços onde a alma humana se encanta com a magnitude de ser um só humano com toda a humanidade, ser um com o outro, ser um com o divino, ser um com a plenitude de ser verdadeiramente um ser de liberdade.

Abraços    ****

Vivi

BEM-VIVER OU SOBREVIVER

Dentre tantas escolhas a serem feitas ao longo de uma existência,  viver uma vida com qualidade é uma delas. Uma vida que tenha sentido e significado, é uma escolha consciente que depende do cultivo de um estado de atenção. Uma pessoa que se preocupa em bem-viver, preservando relações de convivência salutares, procura manter um estado atencional onde a atenção é profunda e o ritmo do viver pode sustentar espaços de pausa para refletir e contemplar. Uma atenção dispersa é rasa, pois a distração hiperexita estando permanentemente deslocada em excessivas fontes de informação, em constante mudança de foco nas  diversas atividades e exigências pessoais. Num estado excitário, não há como desfrutar de um estado existencial vívido e pleno, onde a contemplação possa ser criativa e a vida possa ser encantadora. A excitação excessiva não permite o reconhecimento do belo. O processo criativo inclui a tolerância, a paciência, um olhar mais abrangente no próprio viver. Bem-viver, não significa viver-bem.  Nem sempre aqueles que  “vivem-bem” podem desfrutar de um bem-viver, pois estão aprisionados apenas nas preocupações do sobreviver, gastando suas energias em comer e não ser comido pela competição predatória, pelo egoísmo da irresponsabilidade e pela ignorância da não compreensão. Bem-viver uma vida que tenha sentido e significado, é preservar um estado de atenção focado na compreensão amorosa de si, do outro, do mundo. Preservar um estado interior onde o sono traga o descanso físico mas também e sobretudo, o descanso espiritual.

Abraços   ****

Vivi

RESPONSABILIDADE E SOLIDARIEDADE

Estas são as fontes da ética. O sujeito ético é responsável e solidário por si mesmo, ele tem a atitude ética incorporada, muscularizada em seu viver e conviver. O egoísta não conecta. Aquele que pensa, age e vive no levar vantagem em tudo que faz e em todos os ambientes, acaba em algum momento sofrendo as consequências do seu egoísmo.  A ética se fundamenta na atitude responsável e solidária. Embora que nós seres humanos, na comunidade humana globalizada,  tenhamos tanta tecnologia, tanto conhecimento, tanto conforto, ainda não conseguimos verdadeiramente e honestamente sermos éticos. Ainda estamos na “idade da pedra”. Será que é por falta ou por excesso de bens materiais, que ainda nos infantilizamos nas perversidades egóicas,  travestidos de discursos que não correspondem a verdade dos fatos e dos acontecimentos? Até quando,  nós pessoas humanas vamos continuar mentindo para nós mesmos,  para fugir das nossas responsabilidades como seres humanos conscientes? Até quando vamos fugir da solidariedade para com a nossa própria consciência?

Abraços    ****

Vivi

AS FACES DA DÚVIDA

 Quando chegamos na escola é comum o professor perguntar após uma explicação: alguém tem alguma dúvida? Sempre surgem os mais arrojados que perguntam com frequência, como também os tímidos que se escondem sob os mantos do medo. Duvidar faz parte do processo de aprendizagem seja na escola como na vida, afinal somos todos aprendizes e aprendemos sempre. Aliás, estar aberto à aprendizagem em qualquer fase da vida, é um valor e uma atitude preciosa. Esta é face luminosa da dúvida, daquela pessoa que sempre está disponível a aprender, a dialogar. Lembrando que dialogar não é necessariamente concordar mas, fazer contato para discernir e chegar às suas conclusões pessoais de acordo com seus conhecimentos e experiências. Dialogar é abrir espaços para o novo, para a renovação.  Mas há uma outra face da dúvida, que é a face mais perversa ou sombria, quando ela se veste com as vestes da destruição, da desagregação, da imposição, da arbitrariedade. Esta é uma atitude mental altamente destrutiva para a pessoa duvidosa como para o seu entorno, pois a intenção aqui não é a clareza das ideias mas, simplesmente o confronto, o enfretamento. A dúvida destrutiva como um padrão mental recorrente,  impede a renovação e a criatividade, é causadora de dor e sofrimento, desagrega e amedronta. Portanto, cuidado, toda atenção é pouca!

Abraços    ****

Vivi