ILUSÃO OU REALIDADE

Então, o que é a Ética? Seria ela uma ilusão, uma utopia, ou uma realidade possível dentro de um possível de realidade? Como escreveu Théo  lein, sitado por Edgar Morin, “a ética não é um relógio suíço cujo movimento nunca se desajusta. É uma criação permanente, um equilíbrio sempre prestes a ser rompido, um tremor que nos convida a todo instante à inquietude do questionamento e à busca da boa resposta.”  Sustentar um compromisso ético é aprender a cada instante a arte do equilíbrio entre a certeza e a incerteza sem jamais perder o que é justo.  Uma atitude ética compreende a magnitude entre o razoável e o plausível, entre o que é possível num determinado momento que seja ao mesmo tempo seja lúcido e verdadeiro.

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Vivi

JUSTO PARA TODOS

A justiça, como valor e ação, se revela na sua face feminina, onde a intuição, a tolerância, a paciência, a conciliação, a ponderação sempre se fazem presentes, em qualquer lugar e em qualquer tempo, onde a justiça estiver. O justo, aquilo que faz da justiça a própria justeza, depende do equilíbrio, do criativo, do bom senso, do discernimento, onde o feminino e o masculino se encontram para instaurar a verdade, aquilo que é. A justiça só poder ser justa se for justa para todos, para todas, em todos os lugares. A justiça se nutre da verdade mas, a própria verdade se nutre daquilo que transcende. Então, o ser justo é aquele que está disposto a trilhar o caminho do possível com sabedoria, generosidade e compaixão, onde a lei da verdade é igualmente reconhecida e a razão é sensível. Não pode haver justiça que não seja justa para todos. Somente aqui poderá haver a re-conciliação.

Abraços    ****

Vivi

RECUSA À OPRESSÃO

Há um momento da subjetividade em que a consciência se amplia e faz emergir uma atitude de recusa a continuar sendo oprimido. Quando uma consciência passa a ter clareza da realidade, tem início o seu processo de libertação e empoderamento de si. A recusa de operários à cronometragem, dos estudantes a uma educação opressiva, da mulher à subjugação ao marido … são evidências históricas de um cotidiano diante do sistema capitalista. Um cotidiano frente à globalização, que sinaliza as mudanças nas relações entre os sexos, na estrutura da família tradicional, na crise de todas as estruturas autoritárias. Uma sucessão de fatos, acontecimentos e posturas que implicam numa atitude subjetiva, que vai de encontro a mudanças de todas as ordens, do institucional ao pessoal. A recusa à opressão tem sido, passo a passo, uma voz que emerge por todos os cantos do planeta como fatores decisivos no funcionamento das relações humanas de todas ordens. Relações afetivas, profissionais, institucionais, religiosas, sociais, políticas, não no sentido partidário mas no sentido do sujeito que habita, vive e convive na polis; a cada dia as mudanças criativas na história humana são mais evidentes. Recusar-se a ser oprimido começa a ganhar corpo. Nas palavras de Cornelius Castoriadis, é  “quando alguém se recusa a continuar sendo um objeto passivo de um sistema”, para servir a outrem ou a uma ideologia.

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Vivi

PALAVRAS E SENTIDOS

Uma vida sem sentido é uma vida vazia de si mesma. As palavras pensadas, ditas e sentidas, imprimem  sentidos e significados à vida vivida. Palavras automatizadas e vazias de sentido desorientam a vida, confundem, frustram, se esvaziam de si mesmas. A automatização cega a percepção e tudo se repete  e se repete, até o esgotamento mecanizado da rudeza material.  Algumas palavras precisam ser pensadas para não serem repetidas sem sentido ou, com um sentido que tira o sentido da vida. Quando agimos queremos agir ou reagir, organizar ou ordenar, manipular ou comunicar, dirigir ou estimular, controlar ou caminhar… ?Palavras são ações. As palavras sempre agem pois, as palavras ditas ou pensadas sempre trazem sentidos, para o bem ou para o mal. Vigiar as palavras, protegendo-as das desregulações do espírito, talvez seja em si mesmo um sentido para um bom viver.

Abraços    ****

Vivi

O QUE SOMOS NÓS?

O que somos nós? Esta é uma das perguntas da filosofia. Junto a ela, outras perguntas acompanham a trajetória humana. Quem somos nós? De onde viemos? Para onde vamos? Como agir? Perguntas cuja resposta pode levar uma vida inteira para começar a emergir, ou apenas a tangenciar. Pensando e perguntando – “o que somos nós? ” – é possível considerar em primeiro plano, os aspectos aparentes. Somos corpo, somos relações, somos cognição, somos emoção, somos matéria, somos espírito… respostas que suscitam outras perguntas que se encadeiam num esforço de aproximação para compreender o humano na sua humanidade comum. Sob uma ótica mais particularizada, é possível fazer nascer uma outra pergunta: somos matéria ou espírito? física ou metafísica? razão ou emoção? ou somos todos estes aspectos em diferentes faces sinérgicas? Uma afirmação pode cair bem nestas reflexões: ” Somos seres emocionais que aprendem a pensar, não máquinas pensantes que aprendem a sentir.” Stanish Bachrach

Abraços   ****

Vivi

QUEM POSSUI QUEM ?

Sou eu possuo algo ou é o algo que me possui? Quando se trata de desapego, muitas são as pessoas que pensam que desapegar-se  significa não ter nada. Esta é uma visão equivocada.  O desapego comporta uma atitude de ponderação, comedimento e autonomia, tanto em relação às coisas materiais como também às ideias e até mesmo às formas de comportamento. “Desapegar não significa que você não deva possuir nada mas sim, que nada deve possuir você”.  Todo apego gera uma certa escravidão, uma dependência que pode até se tornar doentia, como uma obsessão. Nunca é demais perguntar:  quem possui quem? Sou eu que  possuo a coisa ou a ideia, ou é a coisa em si ou a ideia que me possui? A resposta também pode ser evidente através de outra pergunta: liberdade ou escravidão, liberdade ou dependência, o que quero eu? A dependência muitas vezes vem acompanhada da não reflexão, de uma atitude que se nega a pensar para compreender. A liberdade é uma postura de quem quer compreender, para ponderar e decidir com autonomia.

Abraços    ****

Vivi

O PULSO DA VIDA

Viver é pulsar. A dinâmica da vida acontece através do permanente movimento pulsátil. A vida expande e recolhe, aproxima e afasta, uni e separa em um conjunto de funções que resistem à morte. Age com as forças de organização e desorganização, de integração e desintegração. O pulso vivo se mantém em constantes ligações e religações. Quando as organizações se encontram com o múltiplo e com o uno elas produzem as emergências, qualidades e propriedades desconhecidas dos movimentos isolados. A partir desta dinâmica pulsátil a vida cria as metamorfoses. Assim, também acontece nas relações e no espírito dos indivíduos, onde as ligações e religações acontecem criando as transformações. A maturidade permite perceber, reconhecer o pulso natural da vida e de tudo que vive, adequando-se a ele para encontrar os espaços das “emergências”, daquilo que emerge e convida para as mudanças. A rigidez é um grande obstáculo ao pulso natural da vida, pois a sua inflexibilidade impede as transformações naturais do viver. “… no espírito dos indivíduos, as religações acontecem a partir da responsabilidade, da inteligência, da iniciativa, da solidariedade, do amor.” Edgar Morin

Abraços    ****

Vivi

EMBRUTECIMENTO COLETIVO

Os acontecimentos sinalizam e revelam as consequências das escolhas  sociais. Escolhas políticas, escolhas econômicas, escolhas pessoais, onde subjazem jogos de interesses, alguns claramente reconhecíveis outros velados em discursos hipócritas, porém com tremendas consequências para toda a comunidade humana. A perpetuação da violência, nas suas formas mais imbecis de destruição da vida, revelam a todo instante o quanto  estamos negligenciando alguns elementos que estão contagiando e destruindo a alma da vida, de todas as vidas neste planeta. As mídias em todas as suas expressões, a Televisão cujo acesso é amplamente divulgado por todos os lados e espaços, tem sido fonte permanente da brutalidade e bestialidade contra a vida. Cornelius Castoriadis,economista, escritor, palestrante, insiste em afirmar que ” A televisão atual é um meio de embrutecimento coletivo.” Pergunta: até que ponto a TV, o cinema, os jogos eletrônicos, vídeo games, não tem contribuído para favorecer a brutalidade expressa nos acontecimentos sociais? Até que ponto a nova tecnologia não tem “ensinado” e estimulado o imaginário humano para chegarmos neste lugar de tanta violência social imposta ao cidadão comum? Há que se pensar e agir. Você liga a TV todos os dias? O que você assiste? O que seus filhos assistem? E os games…? A bondade é contagiante mas, a violência também.

Abraços    ****

Vivi

EDUCAÇÃO COM EDUCADOS

Como pensar em educação sem pessoas educadas? Como pensar em democracia sem pessoas democratas? Para responder estas perguntas surgem outras perguntas: quem vai educar o educador que irá educar educandos? Quem vai formar democratas que irão sustentar uma democracia? Aqui desembocamos no desafio da mudança. Se não houver uma mudança de atitude dos indivíduos com relação à sua participação na vida pública, no viver em comunidade, na “res publica”, nas relações que se estabelecem entre os indivíduos e as instituições, não poderemos pensar em responsabilidade, cooperação e autonomia. Uma sociedade cujo único freio é o medo da sanção penal, como afirmava Cornelius Castoriadis, o futuro de uma sociedade mais respeitosa de si e de seus “cidadãos”, ainda está por ser construído. Para que haja governo é preciso que haja autogoverno. Para que haja democracia precisamos do sujeito democrata, como também para que haja uma educação significativa é preciso que hajam sujeitos educados para compreender com lucidez a importância de ser um democrata co-participativo, co-responsável, com autonomia, a partir de uma lei interna.

Abraços    ****

Vivi

VIVER COMO UMA OBRA DE ARTE

Há quem diga que viver é uma luta diária. Outros disseram:  faça da sua vida uma grande obra de arte. Há ainda aqueles que dizem: “ A arte de viver se assemelha mais à luta que à dança…” Marco Aurélio.  Uma luta ou uma dança? Talvez equilíbrio! A vida como arte, e a arte de viver a vida, requer equilíbrio, eixo, foco, orientação, lucidez, atenção, conexão  e  além disso,  ter clareza de propósito. Saber de si para poder saber-se na dinâmica da vida em permanente mutação, transformação, criação, renovação. Esta é a arte. A arte do “como” se manejar nestes espaços que a própria vida me oferece, enquanto estou vivendo.  Ser artista de si mesmo , esculpindo sua obra com alegria e amorosidade nos encontros e desencontros.  Não há luta, há apenas criação.  A luta traz com ela o confronto. Da arte emana o encontro e todos os encontros na construção de um só poema, a poesia da minha vida, vivida em prosa,  narrada,  cantada, dançada e inspirada pela música interior da intimidade do silêncio.  Ser senhor de si mesmo na cálida amizade  de ser si próprio, único, com todos os outros seres únicos, na história de uma existência, onde o artista se irmana com a sabedoria do grande artista, para cria o belo da arte de viver a vida, é fazer da vida a dignidade de ser uma grandiosa obra de arte.

Abraços    ****

vivi